A pequena produção mantém a biodiversidade e ajuda a população socialmente”, afirma Carlo Petrini, criador do movimento Slow Food

12/11/2017 22:42

A gastronomia vai além dos sabores. Em passagem por Florianópolis, o jornalista e sociólogo italiano Carlo Petrini, fundador do movimento internacional Slow Food, defende que alimentar-se vai muito além da saciedade ou do prazer de comer. É um ato político. Escolher o que se come, conhecer a origem dos alimentos e a forma como chegaram à mesa é também uma forma de incentivar pequenos produtores e a fomentar a economia e a tradição de uma região.

Petrini palestrou na tarde desta terça-feira no auditório do Centro Socioeconômico da UFSC. Ele também participará do Seminário Alimentação Agricultura e Mudanças Climáticas, que ocorrerá na Assembleia Legislativa, às 13h30min, desta quarta-feira, dia 8 de novembro. No evento, o sociólogo falará sobre A Agricultura é causa é vítima ao mesmo tempo das mudanças climáticas. Caminhos, perspectivas e ferramentas.

Petrini criou a filosofia Slow Food em 1986. O conceito principal é que a forma como nos alimentamos “tem profunda influência no que nos rodeia — na paisagem, na biodiversidade da terra e nas suas tradições”. Para ele, produtos artesanais, produzidos em pequena escala, geram menos impacto ambiental e social do que os industrializados. Outra defesa do slow food consiste no fato de dedicar um tempo para as refeições, tornando a alimentação um processo de degustação, o que melhora a qualidade de vida.

Em uma conversa momentos antes da palestra na UFSC, Petrini falou em um portunhol bastante fácil de compreender. É a primeira vez que está em Florianópolis e disse que gostou muito da cidade. Já conheceu alguns dos produtos locais e mostrou um exemplar do livro A Arca do Gosto no Brasil –  Alimentos, Conhecimentos e Histórias do Patrimônio Gastronômico, no qual estão listados 200alimentos brasileiros que correm risco de extinção. Petrini garante que é possível comer bem com produtos locais e mantendo as tradições gastronômicas de cada região.

Pesca artesanal em Santa Catarina – Foto Lucas Correia, Agência RBS

O senhor conhece a gastronomia catarinense?
É a primeira vez que venho a Santa Catarina. Já conhecia o Rio Grande do Sul. Conheci algumas especialidades pesqueiras e comunidades de pescadores que trabalham pela defesa da pesca artesanal. Também de produtos que são originários do trabalho dos imigrantes como queijos artesanais muito bons. Experimentei os queijos diamante e o colonial ontem (segunda-feira) que são produzidos aqui.

Como está acontecendo a evolução do movimento Slow Food?
Há uma grande batalha em nível econômico e produtivo contra a agroindústria e a pequena produção. A pequena produção mantém a biodiversidade e ajuda a população socialmente, pois ela tem uma comida preciosa, um patrimônio gastronômico muito forte. A agroindústria estuda uma maneira de vender produtos massivos que não são bons para a saúde e nem para a economia. Trabalha a concentração de poder em poucas mãos de toda a política alimentar. Essa batalha começou há muito tempo. Também acontece que há países que a legislação não é favorável a pequenos produtores, é muito mais favorável à agroindústria.É importante defender o direito dos pequenos e do meio ambiente, cuja legislação é muito trágica. Há muita química no solo que acabam nos alimentos que comemos todos os dias e há muita perda de biodiversidade.

O senhor tem acompanhado as mudanças na legislação brasileira em relação ao agronegócio?
É muito difícil mudar a legislação porque o agronegócio investiu no último ano 58 milhões de dólares em política e os pequenos produtores não têm dinheiro para investir nisso. Esse é o verdadeiro problema. Uma multinacional trabalha pela venda de comida massificada que provoca obesidade e diabete do tipo 2. Algumas vezes quando se fala de gastronomia se fala muito do sabor e não se reflete que o verdadeiro problema é a saúde. Não se vê que nos últimos 10 anos a obesidade aumentou em 100% no Brasil também para as crianças.

E por que é difícil difundir o hábito de comer produtos da agricultura sustentável?
A comida boa da agricultura sustentável não tem perspectiva porque não existe muita venda direta, há muitos intermediários que realizam especulações. Espero aqui (na palestra da UFSC) falar com os jovens, que são o futuro. Se o jovem não compreende isso é um verdadeiro desastre. Em qualquer parte do mundo teremos problema de urbanização(ocupação urbana desordenada), muita gente abandona o campo para trabalhar na cidade causando problemas sociais muito difíceis. O jovem não vai viver no campo se não se paga de forma justa, se não tem internet ou uma forma de socializar, sem qualidade de vida. Este é um problema social. Inverter o movimento de urbanização, que é um excesso de pessoas no meio urbano.

Como as pessoas podem ajudar a reverter o problema do consumo de produtos ultraprocessados?
Implantar um sistema de venda direta entre camponeses e cidadãos e comunidades de suporte, e preferir comidas de pequenos produtores. Esta pode ser a força verdadeira de uma multitude (agrupamento) de cidadãos. Não quero falar de consumidores, pois esta é uma palavra da Revolução Industrial. É preciso formar co-produtores, que compram produtos diretamente, ajudam o pequeno produtor e realizam uma verdadeira aliança entre cidadãos e produtos. Se essa aliança se realiza há uma troca socioeconômica muito importante.

Fonte:Revista versar

Boletim Caisan – 08/11/2017 – Caisan divulga compromissos para a Década de Ação para a Nutrição

12/11/2017 22:33

Notícia de Capa: Lançamento do Sistema de Micronutrientes

No dia 3 de novembro de 2017, a Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição – CGAN/DAB lançou o Sistema de Micronutrientes, que possui 3 módulos:  I. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A – PNSVA; II. Programa Nacional de Suplementação de Ferro – PNSF; III. Estratégia de Fortificação da Alimentação Infantil com Micronutrientes em Pó (vitaminas e minerais) – NutriSUS.

O Sistema de Micronutrientes, assim como os outros sistemas da Atenção Básica, será acessado por meio do e-Gestor Atenção Básica (AB) disponível no link https://egestorab.saude.gov.br/. Para cada módulo/programa será necessário o cadastro de um Coordenador Municipal (que pode ser o mesmo para todos, porém deverá ser cadastrado em cada um dos módulos/programas). Esse cadastro deverá ser feito do mesmo modo que ocorre o cadastro de Coordenadores no e-Gestor AB, ou seja, o Gestor da Atenção Básica deve realizar o cadastro do Coordenador de cada um dos programas. (…)

Para saber mais sobre o assunto:

– Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1756; ou

– Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

Nesta edição:

  • Lançamento do Sistema de Micronutrientes
  • Linhas de cuidado do sobrepeso e obesidade no Rio Grande do Sul
  • Senado discute melhoria dos rótulos de alimentos
  • Especialistas defendem aumento de tributos sobre bebidas açucaradas
  • Agência da ONU e revista especializada recebem artigos sobre políticas públicas de saúde
  • Agenda da CGAN
  • Espaço dos Estados
  • De olho na evidência
  • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira – 5 Maneiras de melhorar seu café da manhã
  • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
  • Saiu na mídia

A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

Departamento de Atenção Básica

Secretaria de Atenção à Saúde

Ministério da Saúde

 

Portal do Departamento de Atenção Básica: http://dab.saude.gov.br/portaldab/

Comunidade de Práticas: https://www.facebook.com/comunidadedepraticas

RedeNutri: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php

PanGea winners in Nature Magazine!

12/11/2017 22:31

O Concurso Imagine Pangea, que teve entre os ganhadores a professora Greyce Luci Bernardo, membro do Nuppre e egressa do PPGN-UFSC, foi destaque na edição desta semana da revista Nature.

O Imagine-PanGea, primeiro concurso de popularização científica de caráter multicultural e multilinguístico, é destaque da edição desta semana da revista Nature, um dos mais prestigiosos periódicos científicos do mundo, que acaba de completar 148 anos de existência. A competição, que envolveu estudantes de mestrado e doutorado de diferentes países em desenvolvimento, foi uma realização do Projeto Imagine (http://projetoimagine.ufsc.br/) da UFSC, em parceria com a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e duas redes internacionais de popularização da ciência, a RedPOP da América Latina e o African Gong da África.

Acesse a matéria em www.facebook.com/UFSCProjetoImagine/ ou www.nature.com/articles/d41586-017-05731-0

Assista os vídeos vencedores em http://bit.ly/2vFMjum

Chamada de artigos: IMAGENS E DISCURSOS SOBRE CORPOS, FAMÍLIAS E SUBJETIVIDADES

12/11/2017 22:29

DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde divulga chamada de artigos

IMAGENS E DISCURSOS SOBRE CORPOS, FAMÍLIAS E SUBJETIVIDADES

Publicada pelo Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, a revista DEMETRA: Alimentação, Nutrição e Saúde
(www.demetra.uerj.br) prepara um número que privilegia o debate que busca
articular imagens e discursos sobre corpos, famílias e subjetividades.

Esta iniciativa é fruto das reflexões gestadas no âmbito dos Programas de
Pós-graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde da UERJ, em
Nutrição da UFRJ e em Ensino em Biociência e Saúde do Instituto Oswaldo
Cruz (IOC) da Fiocruz por meio de intercâmbio de seus docentes e oferta de
disciplinas em comum.

Já se pode constatar um crescente interesse acadêmico pelos estudos que se
voltam para temas como corpos, famílias e subjetividades por meio de
imagens e/ou discursos, na medida em que estas categorias expressam um
grande potencial na análise dos modos de funcionamento da sociedade.
Contudo, entre esses esforços predominam abordagens isoladas em espaços
distintos do saber, resultando sua integração ainda pouco comum no âmbito
acadêmico, sobretudo no campo da saúde. Portanto, ainda permanece como um
desafio para as pesquisas em alimentação e nutrição o acolhimento de
diferentes perspectivas analíticas (sociológicas, antropológicas,
históricas, psicológicas, etc.) que favoreçam a associação entre estas
fecundas categorias.

Esse número temático dirige seu foco para relações entre corpos,
famílias e subjetividades como construções sociais presentes, tanto em
experiências da vida cotidiana, como nos modos de fazer ciência. São aqui
entendidos, enfim, como processos passíveis de análises a partir de
diferentes orientações teóricas e metodológicas.

Poderão integrar esta iniciativa pesquisas relacionadas à produção do
conhecimento científico em diferentes cenários, incluindo a produção
midiática, cinematográfica e as artes. São bem-vindos textos derivados de
pesquisas empíricas, ensaios e/ou discussões teóricas que destacam o
agenciamento pelos sujeitos da problemática dos corpos e das diversas
expressões de família em seus aspectos históricos e socioculturais por
meio de imagens e/ou discursos modeladores da subjetividade. Interessam as
iniciativas que problematizam as normatizações, regulações,
naturalizações e/ou idealizações do corpo com implicações para a
existência individual e coletiva, a saber: discursos e imagens produtores
de estigma e/ou preconceito com referência aos corpos
femininos/masculinos/trans e às diversidades na constituição das
identidades; análises de intervenções biomédica e/ou tecnológicas
(medicamentosas, estéticas, dietéticas e de dispositivos online em seus
usos lícitos/ilícitos) sobre os corpos e nas relações familiares e de
gênero; legislações/normativas e suas repercussões nas experiências
subjetivas.

• Os interessados devem encaminhar suas contribuições em inglês,
português ou espanhol até 28 de fevereiro de 2018.
• A submissão deverá ser efetuada na página da nossa revista através
do link
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra/about/submissions#onlineSubmissions,
informando seu direcionamento para a sessão ARTIGOS TEMÁTICOS.
• A comunicação aos Editores deverá mencionar a chamada temática
“IMAGENS E DISCURSOS SOBRE CORPOS, FAMÍLIAS E SUBJETIVIDADES”.
• Dúvidas podem ser sanadas pelos e-mails demetra.uerj@gmail.com ou
demetra@uerj.br.

Desemprego pode recolocar Brasil no Mapa da Fome, diz líder do órgão da ONU para alimentação

06/11/2017 10:21

Desemprego pode recolocar Brasil no Mapa da Fome, diz líder do órgão da ONU para alimentação.

O brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, diz estar preocupado com a possibilidade de o Brasil voltar a ter a fome como um de seus problemas crônicos e estruturais.

“Se o Brasil não conseguir retomar o crescimento econômico, gerar empregos de qualidade e ter um programa de segurança alimentar voltado especificamente para as zonas mais deprimidas, nós podemos, infelizmente, voltar a fazer parte do Mapa da Fome da FAO”, alerta, em entrevista por e-mail ao UOL, da sede mundial da instituição, em Roma (Itália).

Matéria na íntegra aqui.

Fonte: Notícia Uol

36% dos alimentos têm agrotóxico proibido ou acima do limite, indica estudo – BBC – Meio Ambiente

06/11/2017 10:11

Uma pesquisa inédita do Greenpeace, divulgada nesta terça-feria (31), revela que 36% de alimentos comuns à dieta do brasileiro e vendidos em três feiras livres de São Paulo e Brasília contêm resíduos de agrotóxicos proibidos ou acima do limite.

O levantamento foi feito entre os dias 11 e 13 de setembro com alimentos comprados nas centrais de abastecimento do São Paulo e Brasília e na zona cerealista de São Paulo. Os alimentos comprados para a pesquisa foram: arroz branco, arroz integral, feijão preto, feijão carioca, mamão formosa, tomate, couve, pimentão verde, laranja, banana nanica, banana prata e café.

Os 12 itens foram comprados nas feiras e as amostras enviadas ao Laboratório de Resíduos de Pesticidas do Instituto Biológico de São Paulo, ligado ao governo do Estado. “Os resultados são preocupantes”, diz o estudo, citando que os resíduos ilegais incluem “agrotóxicos não permitidos para determinadas culturas e casos em que foram encontrados limites acima dos máximos estipulados por lei”

Ao todo foram testados 113 quilos de alimentos, que foram divididos em 50 amostras diferentes. Dessas amostras, 30 (60%) continham resíduos de agrotóxicos –o que não significa irregular. Em 18 amostras, havia ou quantidade acima do permitido de agrotóxico ou produto não permitido para aquele tipo de cultura.

Em 17 amostras, foi observada a presença de mais de um tipo de agrotóxico. Em três das quatro amostras de mamão, por exemplo, tinham quatro tipos diferentes de resíduos. “Uma delas apresentou um pesticida não permitido para o mamão, a famoxadona, e um outro resíduo em níveis muito acima (nove vezes) do permitido, o difenoconazol.”

Em duas amostras de pimentão, uma de São Paulo e uma de Brasília, foram encontrados sete tipos de resíduos, incluindo agrotóxicos proibidos para esse alimento. De acordo com a pesquisadora Karen Friedrich, da Fiocruz, o consumo de agrotóxicos causa, entre outros problemas, alterações hormonais, comprometimento da tireoide, dos hormônios sexuais e até câncer.

Resultado esperado

Apesar do campo de pesquisa ser restrito, para o Greenpeace não há dúvida que o cenário é semelhante em todas as demais feiras e mercados do país.

Segundo a engenheira agrônoma Marina Lacorte, integrante da campanha de agricultura e alimentação do Greenpeace, os dados encontrados já eram esperados por conta de outros dados já publicados.Os dados foram bem parecidos com o que o programa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vem encontrando. Mais da metade do que a gente come tem resíduo”, explica.

Quem deveria fiscalizar? Anvisa: É a responsável por analisar se a quantidade de agrotóxico presente no alimento é tóxico para o organismo humano.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: deve fiscalizar estabelecimentos comerciais que produzem, importam ou exportam agrotóxicos.

Ibama e Ministério do Meio Ambiente: deve garantir que os agrotóxicos usados na agricultura não causem problemas ao ambiente, como rios e matas nativas.

O que fazer? –

-Lavar os alimentos com água em abundância e retirar a casca -o que não tira todo o agrotóxico (somente parte daqueles agrotóxicos de superfície*)

– Vinagre ou cloro para alimentos matam os micro-organismos (não retira agrotóxico*)

A melhor saída é conhecer a procedência dos alimentos e/ou comprar produtos orgânicos.

*informação nossa.

Fonte: Notícias UOL

Entidades alertam para falta de clareza em rótulos e propaganda enganosa de alimentos não saudáveis

06/11/2017 09:47
Sob o slogan ‘Você tem o direito de saber o que come’, campanha chama atenção para a questão da obesidade

RIO — A obesidade é uma das principais epidemias da atualidade, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). No ano passado, a doença atingiu mais de 650 milhões de pessoas no planeta. A prevalência de obesidade no Brasil aumentou quase cinco vezes entre os homens e mais do que duplicou entre as mulheres nos últimos 35 anos. Hoje, 57% da população brasileira tem excesso de peso. Diante deste cenário, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável está lançando nesta quarta-feira a campanha “Você tem o direito de saber o que come”, que foca na relação entre o excesso de peso e o consumo de alimentos não saudáveis, chamados por especialistas de “alimentos ultraprocessados”, estimulado por informações enganosas e pouco claras em seus rótulos.

O grande aumento na prevalência do excesso de peso é atribuído, sobretudo, a mudanças no padrão alimentar da população, destacando-se em particular a substituição de alimentos e preparações culinárias tradicionais dos brasileiros por produtos ultraprocessados e prontos para o consumo, como refrigerantes e outras bebidas açucaradas, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, sobremesas industrializadas etc. Apenas um a cada três adultos consome frutas, legumes e verduras regularmente. A substituição de almoço e jantar por lanches em sete ou mais vezes por semana por 14% dos brasileiros é outro indicador da diminuição da qualidade da alimentação no país. Tendência similar de aumento do consumo de alimentos ultraprocessados é observada entre adolescentes.

A campanha, desenvolvida pela Aliança, formada por instituições como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ACT Promoção da Saúde, Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), começa com a exibição de um vídeo, logo mais à noite, em horário nobre da TV, mostrando uma família que, ao consumir produtos ultraprocessados apresentados como saudáveis, se alimenta essencialmente de açúcar e gordura sem ter consciência disso. Em uma metáfora, o filme mostra os ingredientes em excesso de alguns produtos que consumimos em nosso cotidiano: da caixa de suco que se diz “natural” cai açúcar refinado; da caixa do bolo que se vende como “caseiro”, sai um tablete de gordura.

“Fizemos um “raio x” dos alimentos não saudáveis”, afirma Inês Rugani, professora da UERJ e membro da Abrasco, acrescentando que, por meio de imagens fortes e a apresentação das consequências de forma direta, o objetivo é sensibilizar os espectadores e evidenciar a falta de informação clara e o marketing enganoso nas embalagens que vendem produtos nutricionalmente pobres como se fossem benéficos para a saúde.

A campanha tem a intenção de alertar a população sobre as reais características nutricionais de produtos ultraprocessados, que não destacam em suas embalagens o excesso de ingredientes como sódio, açúcar e/ou gorduras, levando os consumidores a fazer escolhas não saudáveis. Também tem a intenção de mobilizar a sociedade a apoiar a adoção de rótulos mais claros e a restrição de propagandas enganosas sobre alimentos, especialmente aquelas direcionadas a crianças. Vale lembrar que encontra-se em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a revisão das normas de rotulagem nutricional. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável defende a adoção de uma rotulagem nutricional frontal de advertência inspirada no modelo do Chile, entre outras recomendações, conforme proposta apresentada à Agência pelo Idec e UFPR. Uma consulta pública deve ser aberta pela Anvisa até o final do ano para ampliar a discussão sobre esse tema e definir novas regras brasileiras de rotulagem nutricional.

Em uma escala maior, o movimento aponta que a responsabilidade pelo excesso de peso não pode ser atribuída apenas ao indivíduo, por não praticar atividade física e consumir calorias em excesso. Mas se justifica principalmente pela existência de um ambiente que estimula o consumo excessivo de produtos não saudáveis por meio de publicidade massiva e rótulos atrativos, porém enganosos. Segundo Ana Paula Bortoletto, líder do Programa de Alimentação Saudável do Idec, estudos recentes indicam que a obesidade e as doenças ocasionadas pelo excesso de peso estão entre os problemas de saúde mais graves do Brasil.

“Em pesquisa realizada para a campanha, os entrevistados ficaram surpresos ao serem informados sobre a quantidade de açúcares, gorduras e sódio presentes nos produtos exemplificados e em tantos outros anunciados como saudáveis. Para alguns, as informações foram novidade, o que demonstra a falta de informações claras sobre o que é comum na alimentação de muitas pessoas”, comenta a especialista.

Por meio do slogan “Você tem o direito de saber o que come”, o público é convocado a cobrar políticas públicas para o aprimoramento da rotulagem de produtos ultraprocessados e destaca a importância do acesso à informação clara e adequada para escolhas alimentares mais saudáveis. Além da TV, a campanha será veiculada através de peças para rádio e para mídias impressa e digital.

Fonte: O globo

Informativo da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição 30 de outubro a 3 de novembro

06/11/2017 09:45

Notícia de Capa: CGAN participa de Reunião do Grupo Técnico Assessor do Sódio

Nos dias 25 e 26 de outubro foi realizada a reunião do Grupo Técnico Assessor para a Redução do Consumo de Sódio nas América, na sede da Organização Pan Americana da Saúde, em Washington, Estado Unidos, dando continuidade à terceira fase de trabalhos do grupo para o período de 2016 a 2019. Em reconhecimento ao trabalho desenvolvido no Brasil, nesta nova fase do grupo o Coordenador Substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Eduardo Nilson, foi designado como vice-coordenador (co-chair) do grupo para a América do Sul e Central, trabalhando junto com a coordenadora Mary L’Abbe, da Universidade de Toronto, no Canadá, e as referências técnicas na Opas no planejamento e implementação das ações do grupo na região, assim como atuando como referência técnica para os países (…)

Para saber mais sobre o assunto:

– Baixe a Segundeira da CGAN desta semana no link: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-download_file.php?fileId=1755; ou

– Acesse o Blog da CGAN da RedeNutri (http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-view_articles.php).

Nesta edição:

  • CGAN participa de Reunião do Grupo Técnico Assessor do Sódio
  • Bem-Estar: Saúde começa com educação
  • Revisão do Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos
  • Bases para Discussão da Política Nacional de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno
  • 3ª reunião do Grupo Elaborador das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas para Intoxicações por Agrotóxicos
  • Pastoral da Criança lança revista em parceria com Ministério da Saúde
  • Espaço dos Estados
  • Reuniões e agendas estratégicas
  • De olho na evidência
  • Implementando o Guia Alimentar para a População Brasileira – Pão: Como Escolher o Mais Saudável
  • Monitoramento Semanal de Programas Estratégicos da CGAN
  • Saiu na mídia

A Segundeira da CGAN é o informativo semanal da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, na qual são apresentadas as principais notícias da semana, agendas previstas da Coordenação, além de trazer atualizações sobre evidências científicas, textos de apoio para a implementação das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e atividades realizadas nos municípios e estados relacionados à agenda de alimentação e nutrição no SUS e monitoramento de alguns programas.

 

Fonte:

Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição

Departamento de Atenção Básica

Secretaria de Atenção à Saúde

Ministério da Saúde

Consumo de soja reduz o risco de doenças cardíacas? A FDA acredita que não

06/11/2017 09:42

Agência propõe revogar autorização para fabricantes publicizarem benefícios

WASHINGTON — Desde 1999, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) permite que fabricantes de proteína de soja anunciem nas embalagens que o produto reduz riscos de doenças cardíacas, mas agora a agência propõe revogar a medida.

Em comunicado, Susan Mayne, diretora do Centro para Segurança Alimentar e Nutrição Aplicada, explica que desde que a medida foi criada, “numerosos estudos apresentaram resultados inconsistentes sobre a relação entre a proteína de soja e as doenças cardíacas”. A agência sustenta que existem “evidências” que sugerem tal relação, incluindo as que foram revisadas pela FDA para a concessão da autorização, mas o conjunto geral de pesquisas coloca os possíveis benefícios à saúde em questão.

A FDA diz que pode manter a permissão, mas para isso precisa de “evidências suficientes” para apoiar a relação entre o consumo de proteínas de soja e a redução dos riscos cardíacos. Para isso, abriu um prazo de 75 dias para que interessados apresentem informações e propostas sobre o tema e, durante este período, os fabricante continuam permitidos a se referirem aos benefícios do produto nas embalagens.

“Para os consumidores que têm questões sobre o consumo de produtos de soja, nós recomendamos que continuem seguindo as diretrizes dietéticas 2015/2020, que afirmam que um padrão alimentar saudável pode incluir bebidas de soja e uma variedade de alimentos proteicos, incluindo produtos de soja”, pontuou Mayne, ressaltando que a questão tratada é apenas sobre a relação entre o consumo de proteína de soja e o risco de doenças coronarianas.

Desde 1990, a FDA mantém a política de permitir que fabricantes publicizem que determinados alimentos e nutrientes podem reduzir os riscos de certas doenças. Até agora, 12 autorizações do tipo foram concedidas, como o efeito do cálcio e da vitamina D no risco de osteoporose. É a primeira vez que a agência propõe a revogação de uma autorização do tipo.

“Esta ação proposta, que passou por uma revisão da FDA, ressalta o nosso compromisso de fornecer aos consumidores informações confiáveis para que possam fazer suas escolhas alimentares”, afirmou Mayne.

Fonte: O Globo