Programa de Pós-Graduação em Nutrição
  • Mulheres assinam 72% dos artigos científicos publicados pelo Brasil

    País lidera ranking dos Estados Ibero-americanos com maior porcentagem de publicações assinadas por mulheres

    O Brasil é o país íbero-americano com a maior porcentagem de artigos científicos assinados por mulheres seja como autora principal ou como co-autora, de acordo com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). Entre 2014 e 2017, o Brasil publicou cerca de 53,3 mil artigos, dos quais 72% são assinados por pesquisadoras mulheres.
    Atrás do Brasil, aparecem a Argentina, Guatemala e Portugal com participação de mulheres em 67%, 66% e 64% dos artigos publicados, respectivamente. No extremo oposto estão El Salvador, Nicarágua e Chile, com mulheres participando em menos de 48% dos artigos publicados por cada país.
    Além desses países, a OEI analisou a produção científica da Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, Espanha, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Os dados fazem parte do estudo As desigualdades de gênero na produção científica ibero-americana, do Observatório Ibero-americano de Ciência, Tecnologia e Sociedade (OCTS), instituição da OEI.
    A pesquisa analisou os artigos publicados na chamada Web of Science, em português, web da ciência, que é um banco de dados que reúne mais de 20 mil periódicos internacionais.
    “O Brasil está melhor do que o restante dos países. Acho que é algo que não podemos nos dar por satisfeitos porque temos desafios, mas indica que o Brasil caminha na direção positiva de mais oportunidades, de igualdade de gênero entre homens e mulheres”, diz o diretor da OEI no Brasil, Raphael Callou.

    Menos pesquisadoras publicam

    Apesar de assinar a maior parte dos artigos, quando levado em conta o número de mulheres pesquisadoras que publicaram no período analisado, ele é menor que o dos homens. No Brasil, elas representam 49% dos autores, de acordo com os dados de 2017. A porcentagem se manteve praticamente constante em relação a 2014, quando elas eram 50%.
    Com base nos números de 2017, o Paraguai ocupa o topo do ranking, com 60% das autoras mulheres. Na outra ponta, está o Chile, com 37%.
    As diferenças aparecem também entre áreas de pesquisa. No Brasil, entre as áreas analisadas, medicina é a que conta com a maior parte das autoras mulheres, elas são 56% entre aqueles que publicaram entre 2014 e 2017. As engenharias estão na base, com a menor representatividade, 32%.
    Essa realidade faz parte do cotidiano da professora da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Cristina Tavares. “Nas salas de aula, as meninas são cerca de 5% dos estudantes. No departamento temos em torno de 90 professores e somos cinco professoras”, diz. “Quando você vai a congressos, são pouquíssimas engenheiras. Você vê só ternos. Se você tem 100 trabalhos sendo expostos, tem geralmente três ou quatro pesquisadoras”, acrescenta.
    Maria Cristina comemora a posição de destaque das mulheres no número de assinaturas de publicações: “Publicações hoje em dia são tudo no mundo acadêmico. As próprias  universidades prezam por expor o resultado das pesquisa. Para eu conseguir mais bolsas para os meus estudantes, preciso estar com um bom nível de publicação e não é número pelo número, é número que significa que meu trabalho está sendo bom”, diz.
    A professora faz, no entanto, uma ressalva sobre a baixa presença de pesquisadoras na área que atua: “O país perde quando não trabalha essa diversidade e todos esses olhares”.

    Maioria entre estudantes, minoria entre professores

    “Publicar sempre foi difícil, sempre é um processo. Há casos clássicos, bem icônicos de como esse estereótipo de gênero está arraigado. Quando se lê um artigo de autor chinês, polonês ucraniano, que tem um nome diferente, dificilmente vem imagem de que seja uma mulher, porque na nossa cabeça, a gente entende que esse lugares difíceis são ocupados por homens”, diz a bióloga da Universidade de Brasília (UnB) Bárbara Paes.
    Apaixonada por ciência, a pesquisadora integra a equipe do Dragões de Garagem,  criado para divulgar, de forma simples e atrativa, descobertas científicas e questionamentos sobre o fazer ciência no país. “Existe uma resistência da própria academia de reconhecer que existe um problema”, diz.
    De acordo com o Censo da Educação Superior de 2016, última edição do levantamento, as mulheres representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação.
    Elas são também maioria entre bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), representam 60% do total de beneficiários na pós-graduação e nos programas de formação de professores.
    Entre os professores contratados, no entanto, o cenário muda, os homens são maioria. Dos 384.094 docentes da educação superior em exercício, 45,5% são mulheres.

  • Raízes da ciência Brasileira

    Lançada em caráter experimental em abril do ano passado, a Plataforma Acácia finalmente entrou em funcionamento com a missão de reconstituir a genealogia acadêmica de pesquisadores brasileiros. Uma busca rápida no site do projeto permite que estudantes, professores e pesquisadores com currículos registrados na Plataforma Lattes possam identificar as linhagens acadêmicas às quais pertencem, restabelecendo laços entre orientadores e seus alunos construídos nos últimos 75 anos. A iniciativa foi idealizada em 2016 (ver Pesquisa FAPESP nº 249) e utiliza informações extraídas do Lattes, que reúne mais de 5 milhões de currículos acadêmicos.

    “Embora já possa ser consultada, a Plataforma Acácia continua em desenvolvimento”, diz Jesús Pascual Mena-Chalco, professor do Centro de Matemática, Computação e Cognição da Universidade Federal do ABC (UFABC) e coordenador do projeto. “Por enquanto, é possível fazer buscas sobre pesquisadores individuais. Em um futuro próximo, novas funcionalidades serão incorporadas para facilitar o acesso a informações não apenas de pessoas, mas também de grupos de pesquisa, departamentos e universidades nas mais diversas áreas do conhecimento”, explica.

    O nome dado à plataforma faz referência à árvore acácia, uma espécie nativa do sudeste da Austrália cujo formato da copa se assemelha a grafos da genealogia acadêmica brasileira – ou seja, são compactos, remetendo à jovem história da ciência no Brasil. “A ciência brasileira tem poucos anos, quando comparada com a de outros países. É possível identificar com certa facilidade quais foram os pesquisadores que contribuíram de maneira relevante na formação da geração seguinte nas grandes áreas do conhecimento”, diz Mena-Chalco.

    A plataforma dedica uma página ao físico paranaense Cesar Lattes (1924-2005), um dos nomes mais importantes da física experimental brasileira. Nela, estão listados os nomes de seus sete “filhos” acadêmicos (orientados) – no total, o número de descendentes diretos e indiretos de Lattes chega a 437. Um dos descendentes diretos de Lattes, por exemplo, é a física Carola Dobrigkeit Chinellato, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que foi orientada por Lattes no doutorado em 1982 e, desde então, gerou 29 descendentes diretos e indiretos.

    A genealogia acadêmica organiza os vínculos entre gerações de pesquisadores. O orientador é considerado o “pai” dos mestres e doutores que ajudou a formar. Esses, por sua vez, poderão gerar “netos” acadêmicos  e assim por diante. A abordagem é semelhante à de plataformas internacionais disponíveis na internet, como o Mathematics Genealogy Project e o Neurotree Project , que permitem mapear ancestrais acadêmicos dos pesquisadores em matemática e neurociência.

    “A Plataforma Acácia pode contribuir para estudos de história e sociologia da ciência brasileira e também fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas”, afirma Rafael Jeferson Pezzuto Damaceno, aluno de doutorado em ciência da computação na UFABC e membro da equipe que elaborou a plataforma. De acordo com ele, a Acácia deverá gerar indicadores capazes de avaliar quais áreas do conhecimento são mais proeminentes no Brasil. “Se for verificado que o número de descendentes é baixo em determinado campo de pesquisa considerado estratégico, o governo poderia criar políticas específicas para incentivar a formação de pesquisadores naquela área”, diz Damaceno.

    Por ora, a Plataforma Acácia não disponibiliza informações agrupadas por área do conhecimento nem referentes a programas de pós-graduação ou instituições de pesquisa. A ideia é de que seja criada, em breve, uma aba no site da plataforma para essa opção de busca. “Será possível pesquisar quais são os cientistas com maior descendência acadêmica na física ou nas ciências biológicas, por exemplo”, avisa Mena-Chalco.

    Em um estudo publicado no início do ano na revista Scientometrics, Mena-Chalco, Damaceno e outros colaboradores demonstram como os dados da Plataforma Acácia podem ser explorados. Os autores analisaram cerca de 737 mil currículos Lattes e determinaram o grau de interdisciplinaridade entre diversas áreas do conhecimento, com base nas relações entre orientadores e orientandos. “Observamos que as principais áreas do conhecimento, como ciências exatas, biológicas e sociais, têm um certo grau de interdisciplinaridade no Brasil. Não é incomum encontrar biólogos que tiveram como ‘pais’ acadêmicos engenheiros ou físicos, por exemplo”, conta Damaceno. O estudo também avaliou a taxa de fecundidade, uma medida que representa o número de orientações concluídas. “É mais provável que um pesquisador que obteve o título de doutor há 20 anos oriente mais alunos do que aquele que concluiu o doutorado há 50 anos e pode estar mais afastado das atividades acadêmicas”, explica Damaceno.

    Mena-Chalco chama a atenção para o fato de que a Plataforma Acácia leva em consideração apenas relações de orientação formal, ou seja, aquelas registradas nos currículos da Plataforma Lattes. Outra característica é que cientistas que não têm currículo Lattes, mas orientaram pessoas que o têm, não ficam de fora da Acácia. Um exemplo é o do parasitologista mineiro Amílcar Viana Martins (1907-1990), que não chegou a ter um currículo na Plataforma Lattes – criada em 1999 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) –, mas seu nome consta na Acácia devido a sua árvore genealógica extensa, com mais de 600 descendentes diretos e indiretos.

    Estrangeiros também podem ser encontrados, desde que tenham orientado pelo menos uma pessoa do Brasil. “Esperamos que a Plataforma Acácia seja utilizada por pesquisadores como uma ferramenta para produzir novos trabalhos sobre a comunidade científica brasileira e também para avaliar o êxito de um cientista na tarefa de formar sucessores”, afirma Mena-Chalco.

    Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/15/raizes-da-ciencia-brasileira/


  • Processo Seletivo PPGN 2019 – Homologação Inscrições

    Já está disponível na página do Processo Seletivo de Mestrado e Doutorado de 2019 a homologação das inscrições.

    Para acessar basta ir em: Menu > Processo de Seleção > Mestrado e Doutorado ou Clique Aqui

    [ATUALIZAÇÃO 22/03/2019] Foi verificada e corrigida a Homologação dos Inscritos da Seleção do Doutorado. A Errata está publicada na página do processo seletivo.

    [ATUALIZAÇÃO 26/03/2019] As respostas dos recursos está disponível na secretaria do PPGN. Informamos que não houve alteração na homologação após os pedidos de recurso impetrados.


  • ‘Ciência é caminho para entender o mistério da existência humana’, diz Marcelo Gleiser, vencedor do prêmio Templeton 2019

    Marcelo Gleiser, vencedor do premio Templeton 2019 — Foto: Dartmouth College/Eli Burakia/Divulgação

    O físico e astrônomo carioca Marcelo Gleiser, anunciado como o grande vencedor do Prêmio Templeton 2019 nesta terça-feira (19), não faz o tipo introspectivo que o estereótipo de cientistas poderia ter. Ao contrário: gosta de se expressar, é frequentemente chamado para dar palestras para diferentes audiências e, com mais de 100 artigos acadêmicos publicados, ele também é best-seller com livros que tratam a ciência de uma forma mais abrangente e reflexiva, voltado para o público em geral.

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  • Movimento Ciência Cidadã – Carta ENA

    LANÇAMENTO: Carta Política e do Curta Agroecologia do IV ENA* |  Debate público Agroecologia e Democracia unindo campo e cidade: lançamento da Carta Política do IV Encontro Nacional de Agroecologia (IV ENA) com exibição de vídeo-reportagem sobre o IV ENA. *Hoje, dia 13/03*, no terceiro dia do Seminário “Perspectivas no Ensino, Pesquisa e Extensão em Agroecologia no Brasil”. *Acompanhe o encontro pelo link abaixo e participe* – teremos espaço para perguntas após as falas! Nos envie sua contribuição pela própria página de transmissão.   #NEAs #ConstruçãoDoConhecimento #AgroecologiaeDemocracia #UnindoCampoeCidade #EnsinoPesquisaExtensão

    https://www.youtube.com/watch?v=Q6X8hcgltqg


  • Para pensar o financiamento da educação no Brasil

    Revista Pesquisa FAPESP

     

    Engrenagem complexa

    Os recursos destinados à educação voltam a ser alvo de debate no Brasil. Quanto sai de cada esfera de governo? Quanto vai para cada etapa da escolaridade? Qual o impacto da Emenda Constitucional do teto de gastos? A reportagem de capa detalha esses aspectos.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/

     

    Modelos recriados

    Instituição pública ou privada? Com ou sem pesquisa e pós-graduação? Com que estrutura docente e curricular? Muito do que existe hoje no país vem da reforma universitária empreendida durante o período militar (1964-1985) e tem influência de modelos adotados em outros países – sobretudo Estados Unidos, França e Alemanha.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/modelos-recriados/

     

    Investimento público

    Entre 2000 e 2015, os aportes somados da União, dos estados e dos municípios praticamente dobraram, o que também elevou a proporção de investimentos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB)

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/#mecanismos-complexos-1

     

    Esferas de governo

    A maior parte dos recursos destinados à educação brasileira vem dos estados e dos municípios (laranja). A contribuição da União, de cerca de um terço do total (verde), é voltada principalmente para o ensino superior.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/

     

    Distribuição dos recursos

    A maior fatia de recursos alocados no país vai para o ensino fundamental, que está universalizado; na expansão de financiamento ao longo dos anos, o ensino superior foi o que menos se beneficiou.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/#mecanismos-complexos-2

     

    Matrículas

    O Plano Nacional de Educação prevê atender ao menos 50% das crianças em creches até 2024. A meta está distante, mas o percentual de matriculados nessa faixa etária de até 3 anos ainda é maior do que o percentual de jovens com idades entre 18 e 24 que cursam o ensino superior.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/#mecanismos-complexos-3

     

    O que é o Fundeb

    Mostramos como funciona o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb, que distribui recursos para toda a educação básica: da creche ao ensino médio

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/#mecanismos-complexos-4

     

    Mundo afora

    Quando se analisa o percentual do PIB destinado ao ensino fundamental e ao médio, o Brasil parece equiparado à média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e se aproxima dos Estados Unidos; mas como o PIB brasileiro é mais baixo, o valor investido por aluno é menor no país, bem abaixo da média da OCDE

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/engrenagem-complexa/#mecanismos-complexos-7

     

    Ensino superior

    Dos anos 1960 para cá, houve uma inversão na representatividade das instituições públicas e privadas em termos do número de matrículas. Essa trajetória é marcada pela reforma educacional do regime militar nos anos 1960, a autonomia universitária estabelecida nos anos 1980, a legislação que permite fins lucrativos no ensino superior nos anos 1990 e a expansão dos anos 2000

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/modelos-recriados/#mecanismos-complexos-8

     

    Marcos históricos

    Preparamos uma linha do tempo com alguns marcos do ensino superior no Brasil desde a fundação da primeira instituição, na Bahia, em 1808, até a expansão das universidades federais em 2004.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/12/modelos-recriados/#mecanismos-complexos-10

     


  • Divulgação II Ciclo de Leituras em Saúde e Ciências Humanas

    II Ciclo de Leituras em Saúde e Ciências Humanas


  • Problemas enfrentados pelas mulheres na ciência

    Revista Pesquisa FAPESP

    Mulheres na ciência

    Neste Dia Internacional da Mulher, o programa Pesquisa Brasil traz entrevistas novas e outras já exibidas, que tratam de temas como a representação feminina na carreira acadêmica e como atrair meninas. Às 13h pela rádio USP e a partir das 14h no site da revista ou como podcast.


    http://revistapesquisa.fapesp.br/multimidi/podcasts/

     

    Violência

    Identificar os fatores associados à agressão contra mulheres é o foco de pesquisas de diversas áreas. O Brasil é o quinto colocado no índice internacional de feminicídios, com 4,8 assassinatos para cada grupo de 100 mil mulheres. Cautela ao andar pela rua adianta pouco, já que o maior risco costuma estar dentro de casa. A notificação vem aumentando em todas as faixas etárias desde que se tornou obrigatória, em 2011.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/07/faces-da-violencia-domestica/

     

    Dados

    Em 2004 as mulheres ultrapassaram os homens na obtenção de títulos de doutorado. Entre 2014 e 2017, o percentual permaneceu em 54% para elas, contra 46% dos títulos masculinos. A participação feminina é maior em ciências da saúde e biológicas, além de áreas ligadas às línguas e artes. Os homens ainda predominam nas engenharias e nas exatas, e têm uma leve vantagem nas ciências sociais aplicadas.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/07/titulos-de-doutorado-no-brasil-participacao-feminina/

     

    Exatas

    Apesar de três quartos das mulheres se interessarem por ciência, tecnologia, engenharia e matemática (conjunto conhecido pela sigla Stem, em inglês), apenas uma minoria segue carreira nessas áreas. Países como Canadá e Austrália já se articulam contra essa tendência e abrem mais espaço para as mulheres. Por aqui as iniciativas ainda são mais tímidas, mas já começam. Falamos sobre isso em novembro.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/19/onde-as-cientistas-nao-tem-vez/

     

    Maternidade

    Boa parte das cientistas que se tornam mães atrasam a progressão na carreira. Quando voltam de licença maternidade, têm dificuldades em retomar o trabalho e obter financiamento. Um projeto de pesquisadoras busca avaliar esse impacto e identificar maneiras de minimizá-lo. Falamos sobre o assunto em julho.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/07/19/maternidade-no-curriculo/

     

    Assédio

    No ambiente acadêmico, o assédio dirigido a mulheres ainda é bastante comum. Um relatório elaborado em 2018 pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos fez um diagnóstico do problema e apresentou recomendações para prevenir e enfrentar essas situações. Falamos sobre isso em julho.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/07/05/para-enfrentar-o-assedio-sexual-na-academia/

     

    Invisibilidade

    Até na Wikipedia, uma plataforma democrática, há um desequilíbrio de gênero. Apenas 17% dos perfis publicados são de mulheres e 90% dos editores são homens. A canadense Donna Strickland, ganhadora do prêmio Nobel de Física, no ano passado, não tinha perfil na enciclopédia on-line. A física britânica Jessica Wade (foto) está empenhada em mudar esse quadro. Falamos sobre isso em fevereiro.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/02/07/mulheres-visiveis/

     

    Liderança

    Em junho passado, a geneticista britânica Magdalena Skipper assumiu como editora-chefe da revista científica Nature. É a primeira mulher no cargo nos 150 anos de existência da publicação, uma das mais prestigiosas do meio científico. Em entrevista à Pesquisa FAPESP publicada em dezembro, ela fala sobre como aumentar a presença feminina em postos de liderança, entre outros assuntos.

    http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/12/14/magdalena-skipper-no-oficio-de-disseminar-a-ciencia/


  • Saúde global em movimento : Revista Pesquisa Fapesp

    As evidências cientificas desmentindo informações falsas que geram preconceitos e discriminação.

    A migração é um fenômeno global, envolve uma em cada sete pessoas ao redor do mundo e dificilmente poderá ser contida por leis ou muros. Garantir os direitos dos migrantes, em especial o acesso à saúde, é necessário para que todos, inclusive a sociedade que os acolhe, beneficiem-se desse movimento. Essa é a principal conclusão do relatório sobre migração e saúde que acaba de ser divulgado pela revista científica britânica The Lancet em parceria com a University College London (UCL), na Inglaterra. A partir de evidências obtidas em extensa revisão de estudos sobre o tema, o documento contesta estereótipos e mostra o hiato existente entre os serviços de saúde disponíveis aos migrantes e suas reais necessidades.

    A distância entre o que Estados nacionais praticam atualmente e as normas internacionais que asseguram padrões mínimos de dignidade humana é o contexto a partir do qual trabalha a Comissão UCL-Lancet, que reúne não apenas especialistas em saúde, mas também em sociologia, política, direito e antropologia. “É um dos maiores esforços feitos até o momento no campo da migração humana e da saúde”, afirma o médico e epidemiologista Mauricio Barreto, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia e coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cidacs-Fiocruz), em Salvador. Único brasileiro entre os mais de 20 especialistas que integram a comissão, ele informa que o objetivo foi sistematizar o conhecimento produzido em uma área cujo objeto ainda tem pouca visibilidade científica: “Trata-se de uma população muito fluida, pela qual não há grandes interesses de investigação”.

    Em 2018, 1 bilhão de pessoas estavam em trânsito ou estabelecidas em locais diferentes de sua origem, em seus próprios países ou no exterior – a Organização das Nações Unidas (ONU) estimava em 7,6 bilhões a população mundial em 2017. Os migrantes internacionais, diferentemente do que sugere o senso comum, representam a menor parte desse contingente: em 2017 eram 258 milhões, distribuídos principalmente na Ásia (80 milhões), na Europa (78 milhões) e na América do Norte (58 milhões), segundo dados da ONU. Apesar da predominância do trânsito doméstico, há muito mais informações disponíveis sobre o internacional, já que os fluxos internos não implicam controles migratórios. Justamente por isso, a maior parte dos estudos referidos pelo relatório diz respeito a pessoas vivendo como estrangeiras.

    Migração em números

    • 258 milhões de migrantes internacionais, em 2017
    • 80 milhões na Ásia, 78 milhões na Europa e 58 milhões na América do Norte
    • Migrantes que estudam ou trabalham colaboram positivamente para a economia dos países de destino
    • A taxa de fecundidade entre mulheres é de 2,1, e apresenta tendência de queda
    • US$ 613 bilhões foram enviados aos países de origem em 2017
    • Entre os migrantes, a faixa etária predominante é de 30 a 34 anos, 48% são mulheres
    • Em junho de 2015, 35 países impunham algum tipo de restrição a portadores de HIV, segundo a UNAIDS
      • 5 barravam completamente a entrada de soropositivos
      • 4 exigiam prova de HIV negativo até mesmo para curtos períodos de viagem
      • 17 deportavam estrangeiros soropositivos

    “A saúde dos que migram geralmente reflete as circunstâncias da migração”, afirmam os autores no relatório. Enquanto migrantes profissionalmente qualificados e bem-remunerados tendem a apresentar melhores condições de saúde do que os habitantes da sociedade hospedeira, aqueles contratados em funções de baixa qualificação e remuneração tendem a ser mais suscetíveis a riscos ocupacionais e recebem atendimento médico insuficiente. Estudos citados pela pesquisa mostram, por exemplo, que, nos Estados Unidos, operários latinos da construção civil estão duas vezes mais sujeitos a morrer em decorrência de acidentes de trabalho do que os demais operários do setor.

    Não são apenas as condições de trabalho que influenciam essa equação. Entre os fatores apontados pela Comissão UCL-Lancet estão também os étnicos, culturais e identitários. O relatório entende a discriminação como “uma combinação de preconceito contra o outro e medo de perder algo”, o que traz consequências diretas para a saúde. Um artigo publicado em 2017 no International Journal of Epidemiology apontou correlação entre a perseguição sofrida por trabalhadores latino-americanos no estado de Iowa, Estados Unidos, em 2008, e maior risco, nessa comunidade, do nascimento de bebês abaixo do peso recomendado. Estudo desenvolvido em Sidney, na Austrália, com refugiados temporários e permanentes discutiu as consequências psíquicas negativas de se viver em condição incerta.

    Migrantes como fardo
    A pesquisa da UCL-Lancet se dedica a esquadrinhar alguns dos principais mitos associados à migração – estereótipos equivocados que, segundo os autores, foram “usados para ganhos políticos” e acabaram se tornando publicamente aceitos. Com base em estudos de diferentes áreas do conhecimento, o relatório contesta cinco formulações a respeito dos migrantes que, embora correntes no senso comum, não foram comprovadas por evidências: a de que sobrecarregariam nações desenvolvidas, seriam um fardo para os serviços de saúde, transmitiriam doenças, teriam altas taxas de fertilidade e prejudicariam a economia dos países que os recebem.

    Em resposta à primeira delas, a comissão – cuja atuação teve início em 2016, isto é, um ano após o começo do que se convencionou chamar de “crise migratória na Europa” – mostra que a maior variação na população de refugiados aconteceu, na verdade, em países de renda média ou baixa – aqueles, segundo o Banco Mundial, com PIB per capita inferior a US$ 12.235 ao ano. O dado é corroborado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur): segundo a instituição, 85% dos refugiados estão em países em desenvolvimento; em 2017, a Turquia era o país que mais abrigava refugiados no mundo, com 3,5 milhões, o equivalente a quase 14% do total. “Os países mais onerados hoje pela migração internacional são aqueles em desenvolvimento. Mas o mundo desenvolvido sustenta um discurso em que figura como a maior vítima desse fluxo”, observa a jurista Deisy Ventura, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

    De modo geral, mostram os pesquisadores da UCL-Lancet, a porcentagem mundial de imigrantes internacionais teve pouca variação entre 1990 e 2017, subindo de 2,9% para 3,4%. Assim, ainda que a migração para países de alta renda tenha passado de 7,6% para 13,4% nesse mesmo período, a maior parte de migrantes vive em países de renda média ou baixa. Além disso, entre aqueles que se transferem para países ricos estão trabalhadores que contribuem positivamente para a economia e estudantes que custeiam a própria formação e, depois de completá-la, retornam aos países de origem – categorias que somam 155,1 milhões, ou 60% dos migrantes internacionais.

    Contra a ideia de que migrantes sobrecarregariam o sistema de saúde dos países de destino, mostra-se que muitas vezes ocorre o contrário: os estrangeiros fortalecem esse sistema. Mais de um terço dos médicos trabalhando no Reino Unido, por exemplo, completou seus estudos no exterior e 26% dos que atuam hoje no sistema público britânico de saúde são estrangeiros. A partir da revisão sistemática de estudos sobre padrões globais de mortalidade, a comissão concluiu também que migrantes que escolheram cruzar fronteiras – isto é, não foram forçados a migrar – e passaram a residir em países de alta renda tendem a viver mais do que a sociedade hospedeira. É o caso, por exemplo, de quem se muda para estudar, encontrar empregos melhores ou reunir-se à família, segundo parâmetros envolvendo a maior parte das doenças classificadas internacionalmente. Considerando mais de 15 milhões de pessoas de 92 países, o estudo mostra que entre esses migrantes internacionais são menores as taxas de mortalidade por câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias do que a população de acolhimento.

    Em relação à saúde dos migrantes, o relatório contesta a noção de que seriam transmissores de doenças – um dos estereótipos mais persistentes historicamente, segundo estudos na área. O risco entre imigrantes e sociedade hospedeira é geralmente baixo, como mostram, por exemplo, pesquisas sobre tuberculose citadas no relatório. Além disso, os maiores fluxos internacionais não são de quem pretende se instalar em outro país. Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT), 1,4 bilhão de turistas cruzaram fronteiras em 2018, representando cerca de cinco vezes a população migrante. “Se consideramos a circulação de pessoas uma ameaça à saúde, onde estaria o verdadeiro risco?”, pergunta Ventura, assinalando a existência de medidas internacionais para o controle de doenças. Ela lembra o surto de ebola que, entre 2014 e 2016, resultou em cerca de 30 mil casos na África Ocidental, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): mais de 40 países proibiram a entrada de pessoas vindas da região, embora houvesse medidas para assegurar que não estavam contaminadas. Para a comissão UCL-Lancet, o screening – rastreamento de doenças realizado no controle migratório –, que poderia constituir um importante instrumento para dar tratamento adequado às necessidades daqueles que chegam a esses países, muitas vezes dá ensejo à xenofobia.

    Outro mito enfrentado é o de que as migrantes teriam taxas de fertilidade mais elevadas do que as nativas, o que levaria essas comunidades a crescer em ritmo mais rápido do que a sociedade que as recebe. Estudos realizados em seis países – França, Alemanha, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido – mostram que ocorre o contrário. À exceção das imigrantes turcas, as taxas médias entre migrantes são inferiores a 2,1 e apresentam tendência de queda, indicando que mal ultrapassam o nível da reposição populacional.

    Com base em dados consolidados em pesquisas anteriores, o relatório mostra também que migrações não prejudicam a economia. Bem ao contrário, aliás: seu benefício econômico é qualificado pelos autores como “consenso absoluto” entre os pesquisadores, embora seja pouco reconhecido publicamente. Em economias avançadas, cada aumento de 1% na população adulta migrante representa um aumento de 2% no PIB per capita. Além disso, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que as contribuições feitas por essa população, por intermédio do recolhimento de impostos, são maiores do que os benefícios recebidos – e que os fluxos são responsáveis por equilibrar oscilações no mercado de trabalho, fornecendo mão de obra quando necessário. Já os países de baixa renda receberam, segundo dados do Banco Mundial, cerca de US$ 450 bilhões enviados por migrantes a suas nações de origem – o que representou três quartos dessas remessas em 2017. No que diz respeito ao Brasil, estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) corrobora os benefícios econômicos da mobilidade populacional: sem a contribuição dos imigrantes não ibéricos, desembarcados por aqui entre fins do século XIX e início do XX, a renda per capita brasileira seria até 17% menor que a registrada atualmente (ver box “Nós” sem “eles”? abaixo).

    Em economias avançadas, cada aumento de 1% na população adulta migrante representa um aumento de 2% no PIB per capita

    Tom local
    Devido à escassez de estudos realizados na área de saúde e migração, o Brasil contribui pouco para a revisão realizada pela comissão. “O país não é o maior foco de estudos sobre migração e saúde, então não foi o mais relevante”, afirma Barreto. Ainda que diversos países de baixa renda compareçam fornecendo o contexto ou as populações pesquisadas nos trabalhos, as discussões do relatório muitas vezes pressupõem o olhar dos países de alta renda sobre os mais pobres. Apesar disso, particularidades do contexto brasileiro permitem supor que a publicação possa contribuir para os debates sobre migração no país.

    Segundo a pesquisa “Perigos da percepção”, desenvolvida pelo Instituto Ipsos em 2018, o Brasil é um dos países que mais superestimam a presença de imigrantes: os entrevistados acreditavam tratar-se de 30% da população quando, na realidade, correspondem a 0,4%. Diversos fatores explicam a alta visibilidade de um fenômeno que, em termos de porcentagem, é pequeno, conforme esclarece a socióloga Rosana Baeninger, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp) e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo). Além da ampla cobertura realizada pela mídia e da dimensão global do movimento populacional, há o fato de a entrada mais recente de estrangeiros no Brasil não corresponder às raízes históricas do país. “Entre os séculos XIX e XX, a migração foi baseada em uma política de Estado e trouxe uma população europeia, branca e tida como civilizada – foi uma política que deu certo e permaneceu no imaginário brasileiro sobre a imigração”, afirma Baeninger. Nos últimos anos, porém, o país esteve no circuito da chamada migração Sul-Sul. Cerca de 370 mil pessoas, isto é, mais de 40% dos imigrantes internacionais registrados no Brasil entre 2000 e 2015, eram latino-americanos ou caribenhos, segundo dados tabelados pelo projeto Observatório das Migrações, do Nepo. “Esses migrantes chegam a uma sociedade hostil à presença não branca e ainda trazem a questão da migração. Sobrepõem-se dois preconceitos – um relacionado à raça e o outro à condição migratória de países não europeus”, observa a socióloga.

    Para Barreto, o fato de o relatório debruçar-se sobre preconceitos relacionados à migração possibilita o exercício de uma das tarefas mais elementares da ciência: oferecer evidências. “Realizado por uma equipe de sólida trajetória acadêmica e sem visões apriorísticas do objeto, o relatório mostra que as evidências em geral contrariam o senso comum ou não sustentam certas construções retóricas – como a de alguns grupos que se posicionam contra a questão migratória”, afirma. Ventura ressalta a contribuição do enfoque para discussões mais gerais: “A saúde muda os termos do debate sobre migrações internacionais, pois faz reconhecer o migrante como alguém cuja saúde deve ser levada em consideração. Isso empurra imediatamente a discussão para o campo da ética, evidenciando que é preciso acolher essas pessoas”, afirma. Uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo na área da saúde, a Lancet propõe intervir em problemas contemporâneos por meio de suas comissões. Além de grupos que se dedicam a temas como obesidade e Alzheimer, há comissões como a constituída em 2017 para estudar as condições da saúde da população local diante dos conflitos em curso na Síria.

    A importância da atenção dirigida a migrantes e refugiados é assinalada igualmente pela OMS, que em janeiro divulgou seu próprio relatório, também baseado em revisão de literatura sobre o tema. As iniciativas estão em consonância com os objetivos do Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, acordo promovido pela ONU e a partir do qual mais de 160 países sinalizam, desde dezembro, intenção de seguir boas práticas relacionadas à migração. O pacto é visto pelos pesquisadores da Comissão UCL-Lancet como uma “oportunidade sem precedentes” para ações que visem melhorar o acesso de migrantes à saúde.

    “Nós” sem “eles”?

    Mais de 3 milhões de estrangeiros desembarcaram no Brasil entre 1872 e 1920, encontrando, especialmente após a Abolição da escravatura, em 1888, ampla oferta de trabalho. Não há dúvidas quanto à contribuição desses imigrantes para o desenvolvimento nacional – até hoje, porém, não se havia tentado quantificá-la.Em Brasil sem imigrantes, Leonardo Monasterio e Daniel Lopes, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), utilizaram algoritmos para calcular qual seria a renda per capita brasileira se nunca tivesse havido migração não ibérica. Duas metodologias foram adotadas, ambas partindo de sobrenomes italianos, japoneses, germânicos e do Leste europeu: na primeira, os pesquisadores se basearam em dados municipais para simular qual seria a renda per capita caso os descendentes de imigrantes não participassem de universo retratado pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho (MTE), pelo Cadastro Único, do Ministério da Cidadania, e pela base de sócios da Receita Federal. Na segunda, concentraram-se apenas em dados da Rais. Com isso, concluíram que a queda seria de 12,6% e 17%, respectivamente.

    A hipótese do estudo é que, ao desembarcar, os estrangeiros tinham maior capital humano do que os brasileiros, mensurado a partir de enumeramento – a capacidade de lidar com números. Na pesquisa, isso foi avaliado através de documentos históricos que registraram a idade declarada pelos estrangeiros ao desembarcar em portos brasileiros.

    “A literatura indica que populações que arredondam os números com menos frequência geralmente têm capacidades numéricas mais elevadas”, esclarece Monasterio. Assim, quanto maior a frequência de números arredondados, menor o enumeramento – relação baseada na premissa de que a precisão com que se trata os números é proporcional à complexidade das situações em que são utilizados, como as transações comerciais. Esse fato ecoa em dados da década de 1920, quando, segundo o recenseamento, 23% dos brasileiros eram alfabetizados, diante de 52% dos estrangeiros. Em um país que se urbanizava rapidamente, esse maior capital humano dos recém-chegados fez com que se concentrassem em atividades econômicas mais qualificadas do que os brasileiros.

    Relatório
    ABUBAKAR I, Aldridge RW, Devakumar D, Orcutt M, Burns R, Barreto ML, Dhavan P, Fouad FM, Groce N, Guo Y, Hargreaves S, Knipper M, Miranda JJ, Madise N, Kumar B, Mosca D, McGovern T, Rubenstein L, Sammonds P, Sawyer SM, Sheikh K, Tollman S, Spiegel P, Zimmerman C; UCL–Lancet Commission on Migration and Health. The UCL-Lancet Commission on Migration and Health: the health of a world on the moveThe Lancet. vol. 392, n. 10164. 5 dez. 2018.

    Artigos científicos
    FELLMETH G, Rose-Clarke K, Zhao C, et al. Health impacts of parental migration on left-behind children and adolescents: a systematic review and meta-analysisThe Lancet. vol. 392, n. 10164. 5 dez. 2018.

    ALDRIDGE RW, Nellums LB, Bartlett S, et alGlobal patterns of mortality in international migrants: a systematic review and meta-analysisThe Lancet. vol. 392, n. 10164. 5 dez. 2018.

    LOPES, Daniel; Monasterio, Leonardo. Brasil sem imigrantes: estimativas de longo prazo baseadas em microdados. Texto para discussão, Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, n. 2435, nov. 2018.

    Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/02/11/saude-global-em-movimento/


  • Nota Abrasco sobre a perversa tragédia da Vale em Brumadinho

    Passados pouco mais de três anos do desastre socioambiental envolvendo as empresas de mineração Samarco/Vale/BHP ocorrido em Mariana, é com profundo pesar e indignação que a Abrasco volta a se manifestar para alertar a comunidade da saúde coletiva e a sociedade como um todo sobre os significados e implicações do novo desastre ocorrido em 25 de janeiro de 2019 em Brumadinho com o rompimento da barragem controlada pela empresa Vale.
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