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Divulgação de pesquisa – Recrutamos voluntários
Eu, Camila Vieira Tiecher, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação da professora Dra. Ana Carolina Fernandes e coorientação da professora Dra. Greyce Luci Bernardo, estamos realizando uma pesquisa intitulada como “Adaptação e testes de receitas culinárias do programa Nutrição e Culinária na Cozinha para indivíduos com diabetes mellitus tipo 2”.
Estamos recrutando voluntários com Diabetes Mellitus tipo 2 com idade entre 20 e 60 anos, com disponibilidade no horário do almoço em pelo menos um dos dias do período de 26/04 a 03/05 de 2019, para degustação de receitas a ser realizada no Centro de Ciências da Saúde/UFSC.
Para mais informações e confirmação de participação, acesse o link abaixo:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSedo2D9C2QT_ijTfLnMCCg97URLPRhmI8wHzEGs4WzjiFsuRA/viewform?vc=0&c=0&w=1
Informamos que os dados fornecidos serão tratados de forma agregada, de maneira que não seja possível a identificação dos respondentes.
Desde já agradecemos sua participação e colaboração,
Camila Vieira Tiecher
Ana Carolina Fernandes
Greyce Luci Bernardo
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Nota de apoio ao CNPq
O Fórum Nacional de Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Alimentação & Nutrição emite nota de apoio ao CNPq.
Ler na íntegra: Nota de apoio ao CNPq
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Submeta seu Relato de Experiência ou Trabalho Científico ao 8º Simbravisa
Nesta oitava edição do Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária da Abrasco, será possível submeter resumos até 06 de maio. A pertinência dos temas e o zelo na elaboração da programação científica, aliado ao especial acolhimento dado aos trabalhos inscritos e aprovados, faz com que o Simbravisa venha se afirmando como espaço de estímulo à produção científica. O Simbravisa de 2019 acontecerá na capital mineira, de 23 a 27 de novembro, sob o tema “Democracia e Saúde: caminhos e descaminhos da Vigilância Sanitária”.
Os Relatos de Experiência ou Trabalhos Científicos na área de vigilância sanitária, devem refletir sobre sua prática e construir conhecimentos que contribuam para a sua consolidação no âmbito da saúde coletiva.
Para Luiz Antônio Dias Quitério, coordenador da Comissão Científica do Simpósio, o temário se aprimora a cada edição do Simbravisa de modo que o simposiasta não tenha dificuldades para enquadrar o seu trabalho científico ou relato de experiência quando for inscrever o seu resumo: “Para isso, buscamos nomear os temas com palavras que remetem ao cotidiano dos trabalhadores e pesquisadores de Vigilância Sanitária” diz Quitério.
Saiba
aqui como inscrever seu resumo e participar deste 8º Simbravisa – um espaço de encontro entre docentes, acadêmicos e profissionais para a reflexão teórica e pratica da Vigilância Sanitária no país. Visite
www.simbravisa.com.br para mais informações.
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Congresso ASPEN 2019 Nutrition Science and Practice Conference – Trabalho apresentado pela doutoranda do PPGN Luna Dias de Almeida Oliveira foi premiado
O trabalho intitulado “Persistent inflammation, immunosuppression and catabolism syndrome (PICS): a proposal for definition in critically ill children”, foi apresentado no Congresso ASPEN 2019 Nutrition Science and Practice Conference, realizado em Phoenix – Arizona, no período entre 22 e 26 de março de 2019 e, recebeu o international abstract of distinction.
O trabalho faz parte das teses de doutorado de Daniela Barbieri Hauschild (aluna egressa do PPGN) e Luna Dias de Almeida Oliveira, orientadas pela Prof. Dr. Yara Maria Franco Moreno, oriundos do grupo de pesquisa que vem trabalhando com essa temática desde 2012.
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Prescrição de alimento subsidiado em vez de remédio ganha força – 26/03/2019 – Cláudia Collucci – Folha
Estudo diz que iniciativa reduziria doenças e custos nos sistemas de saúde.
Link: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2019/03/prescricao-medica-e-subsidio-de-alimento-saudavel-ganham-forca.shtml
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Webaula “Manejo Nutriocional da Obesidade na Atenção Primária”
O Centro de Telessaúde da UFMG vai ofertar no próximo 3 de abril [quinta-feira que vem] a webaula “Manejo Nutriocional
da Obesidade na Atenção Primária”. Trata-se de uma importante iniciativa para promoção da formação dos profissionais da saúde,
onde serão abordados assuntos ligados ao tema.Entre os tópicos trabalhados na webaula estão:
– Definição, diagnóstico e epidemiologia
– Desafios e objetivos do tratamento
– Tratamento da pessoa com obesidade
– Metas para o tratamento da pessoa com obesidade
– Mitos
– Perspectivas de Educação Permanente
Compartilhe com seus colegas e participe!

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Após pedido de cientistas, CNPq irá incluir período de licença maternidade e paternidade no currículo Lattes | Ciência e Saúde | G1
Grupo de pesquisadoras enviou uma carta à instituição no ano passado. Elas reivindicam mais igualdade de acesso e concorrência justa com os homens para bolsas e financiamentos científicos no Brasil.
Cientistas pedem inclusão da licença-maternidade no currículo
Após um pedido assinado por cientistas mulheres, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) informou nesta quarta-feira (27) que irá incluir uma aba com os períodos de licença maternidade e paternidade no currículo Lattes, principal plataforma para inclusão de publicações e desenvolvimento de pesquisa no país.
O G1 mostrou o caso em novembro. O documento foi assinado pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa, que chamou a atenção dos colegas ao colocar a seguinte frase no currículo: “Mãe de um filho de 14 anos, é atuante na causa das mulheres na ciência”.
Currículo Lattes de Pâmela Mello Carpes — Foto: Reprodução/Plataforma Lattes
A pesquisadora faz parte de um grupo de cientistas que busca chamar a atenção para uma queda iminente na produção durante o período de licença-maternidade – e como isso pode influenciar negativamente na carreira de pesquisadoras.
Com a iniciativa, Pamela acabou servindo como modelo para outras cientistas. Outras mulheres passaram a incluir o período de licença na descrição do currículo Lattes – era uma primeira tentativa de sinalizar para órgãos de financiamento porque há uma queda nas publicações durante os seis meses.
O CNPq disse que a nova aba depende de alguns ajustes no sistema, que serão feitos pela área de informática. A mudança ocorrerá efetivamente nos próximos meses.
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Astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser ganha o Prêmio Templeton : Revista Pesquisa Fapesp
Láurea que já foi concedida ao Dalai Lama incentiva o diálogo entre ciência e espiritualidade.
O físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser, de 60 anos, é o vencedor deste ano do Prêmio Templeton, uma espécie de Nobel da espiritualidade. O anúncio foi feito nesta terça-feira (19/03) pela Fundação John Templeton, dos Estados Unidos, que concede a honraria desde 1973. Natural do Rio de Janeiro, é professor do Dartmouth College, em New Hampshire, Estados Unidos, há 28 anos, e ganhou projeção como divulgador de ciência, participando de programas de televisão nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Brasil. Autor de livros que discutem a origem do Universo, Gleiser frequentemente aborda a relação entre ciência e religião. Ele receberá US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões), valor superior ao do próprio Nobel, de cerca de US$ 1 milhão.O brasileiro é o primeiro latino-americano a receber o prêmio, que será entregue oficialmente em uma cerimônia em Nova York, no dia 29 de maio. A láurea é destinada anualmente a profissionais com “contribuições excepcionais para a afirmação da dimensão espiritual da vida, seja por meio de insights, descobertas ou obras práticas”, segundo anúncio da Fundação Templeton.
“Físico teórico, cosmólogo e um dos principais proponentes da visão de que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares da necessidade da humanidade de abraçar o mistério e explorar o desconhecido”, afirmou Heather Templeton Dill, neta do criador do prêmio, em um vídeo divulgado no site da fundação. De acordo com ela, Gleiser incorpora os valores que inspiraram seu avô, o banqueiro norte-americano John Templeton (1912-2008), a criar o prêmio na década de 1970. “Ele achava que Alfred Nobel [1833-1896] havia negligenciado um componente muito importante da existência humana: a religião e a espiritualidade”, disse Dill. Dentre os laureados anteriores estão Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), o Dalai Lama e o físico britânico Paul Davies.
“O caminho para a compreensão e a exploração científica não é apenas sobre a parte material do mundo, e minha missão é trazer de volta para a ciência e para as pessoas que se interessam por ciência esse apego àquele mistério”, declarou o astrônomo no vídeo. “É fazer as pessoas entenderem que a ciência é apenas mais uma maneira de nos envolvermos com o mistério de quem somos.”
Formado em física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Gleiser fez o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluído em 1982, e obteve o doutorado em cosmologia no King’s College London, na Inglaterra, em 1986. Fez estágio de pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Santa Barbara e no Fermi National Accelerator Laboratory, o Fermilab, um dos mais importantes laboratórios de física de partículas do mundo, ambos nos Estados Unidos.
Aos 32 anos, foi nomeado professor assistente de física e astronomia em Dartmouth e, aos 39, professor titular do posto. Publicou cerca de 100 artigos científicos – seu principal objeto de estudo é a cosmologia. Autor de cinco livros em inglês e nove em português, foi colunista do jornal Folha de S.Paulo. Em 2006, apresentou uma série em 12 episódios sobre cosmologia no programa Fantástico, da TV Globo.
Em entrevista à agência de notícias francesa AFP, Gleiser disse que se considera agnóstico, e não ateu. “O ateísmo é uma crença na não crença. Então você nega categoricamente algo contra o qual não tem provas”, afirmou. “Mantenho a mente aberta, porque entendo que o conhecimento humano é limitado.” Gleiser lamentou que os “novos ateus” tenham ampliado a distância com a religião, como o zoólogo britânico Richard Dawkins. Para o astrônomo, que cresceu na comunidade judaica carioca, religião não é apenas acreditar em Deus. “Ela dá um senso de identidade e comunidade”, afirmou à AFP.
Em muitas de suas obras, entre elas A dança do Universo (Companhia das Letras, 1997), Gleiser procura reforçar o vínculo entre ciência e filosofia. Em A simples beleza do inesperado (Record, 2016), escreveu: “Como cientista, tenho o privilégio de viajar pelo mundo, participando de conferências de todos os tipos, incluindo tópicos que vão da origem do Universo à origem da vida, do significado filosófico das leis da Natureza à relação entre ciência e religião”.
Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/20/astronomo-brasileiro-marcelo-gleiser-ganha-o-premio-templeton/
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Mulheres assinam 72% dos artigos científicos publicados pelo Brasil
País lidera ranking dos Estados Ibero-americanos com maior porcentagem de publicações assinadas por mulheres
O Brasil é o país íbero-americano com a maior porcentagem de artigos científicos assinados por mulheres seja como autora principal ou como co-autora, de acordo com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). Entre 2014 e 2017, o Brasil publicou cerca de 53,3 mil artigos, dos quais 72% são assinados por pesquisadoras mulheres.
Atrás do Brasil, aparecem a Argentina, Guatemala e Portugal com participação de mulheres em 67%, 66% e 64% dos artigos publicados, respectivamente. No extremo oposto estão El Salvador, Nicarágua e Chile, com mulheres participando em menos de 48% dos artigos publicados por cada país.
Além desses países, a OEI analisou a produção científica da Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, Espanha, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Os dados fazem parte do estudo As desigualdades de gênero na produção científica ibero-americana, do Observatório Ibero-americano de Ciência, Tecnologia e Sociedade (OCTS), instituição da OEI.
A pesquisa analisou os artigos publicados na chamada Web of Science, em português, web da ciência, que é um banco de dados que reúne mais de 20 mil periódicos internacionais.
“O Brasil está melhor do que o restante dos países. Acho que é algo que não podemos nos dar por satisfeitos porque temos desafios, mas indica que o Brasil caminha na direção positiva de mais oportunidades, de igualdade de gênero entre homens e mulheres”, diz o diretor da OEI no Brasil, Raphael Callou.
Menos pesquisadoras publicam
Apesar de assinar a maior parte dos artigos, quando levado em conta o número de mulheres pesquisadoras que publicaram no período analisado, ele é menor que o dos homens. No Brasil, elas representam 49% dos autores, de acordo com os dados de 2017. A porcentagem se manteve praticamente constante em relação a 2014, quando elas eram 50%.
Com base nos números de 2017, o Paraguai ocupa o topo do ranking, com 60% das autoras mulheres. Na outra ponta, está o Chile, com 37%.
As diferenças aparecem também entre áreas de pesquisa. No Brasil, entre as áreas analisadas, medicina é a que conta com a maior parte das autoras mulheres, elas são 56% entre aqueles que publicaram entre 2014 e 2017. As engenharias estão na base, com a menor representatividade, 32%.
Essa realidade faz parte do cotidiano da professora da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Cristina Tavares. “Nas salas de aula, as meninas são cerca de 5% dos estudantes. No departamento temos em torno de 90 professores e somos cinco professoras”, diz. “Quando você vai a congressos, são pouquíssimas engenheiras. Você vê só ternos. Se você tem 100 trabalhos sendo expostos, tem geralmente três ou quatro pesquisadoras”, acrescenta.
Maria Cristina comemora a posição de destaque das mulheres no número de assinaturas de publicações: “Publicações hoje em dia são tudo no mundo acadêmico. As próprias universidades prezam por expor o resultado das pesquisa. Para eu conseguir mais bolsas para os meus estudantes, preciso estar com um bom nível de publicação e não é número pelo número, é número que significa que meu trabalho está sendo bom”, diz.
A professora faz, no entanto, uma ressalva sobre a baixa presença de pesquisadoras na área que atua: “O país perde quando não trabalha essa diversidade e todos esses olhares”.
Maioria entre estudantes, minoria entre professores
“Publicar sempre foi difícil, sempre é um processo. Há casos clássicos, bem icônicos de como esse estereótipo de gênero está arraigado. Quando se lê um artigo de autor chinês, polonês ucraniano, que tem um nome diferente, dificilmente vem imagem de que seja uma mulher, porque na nossa cabeça, a gente entende que esse lugares difíceis são ocupados por homens”, diz a bióloga da Universidade de Brasília (UnB) Bárbara Paes.
Apaixonada por ciência, a pesquisadora integra a equipe do Dragões de Garagem, criado para divulgar, de forma simples e atrativa, descobertas científicas e questionamentos sobre o fazer ciência no país. “Existe uma resistência da própria academia de reconhecer que existe um problema”, diz.
De acordo com o Censo da Educação Superior de 2016, última edição do levantamento, as mulheres representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação.
Elas são também maioria entre bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), representam 60% do total de beneficiários na pós-graduação e nos programas de formação de professores.
Entre os professores contratados, no entanto, o cenário muda, os homens são maioria. Dos 384.094 docentes da educação superior em exercício, 45,5% são mulheres.
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Raízes da ciência Brasileira
Lançada em caráter experimental em abril do ano passado, a Plataforma Acácia finalmente entrou em funcionamento com a missão de reconstituir a genealogia acadêmica de pesquisadores brasileiros. Uma busca rápida no site do projeto permite que estudantes, professores e pesquisadores com currículos registrados na Plataforma Lattes possam identificar as linhagens acadêmicas às quais pertencem, restabelecendo laços entre orientadores e seus alunos construídos nos últimos 75 anos. A iniciativa foi idealizada em 2016 (ver Pesquisa FAPESP nº 249) e utiliza informações extraídas do Lattes, que reúne mais de 5 milhões de currículos acadêmicos.
“Embora já possa ser consultada, a Plataforma Acácia continua em desenvolvimento”, diz Jesús Pascual Mena-Chalco, professor do Centro de Matemática, Computação e Cognição da Universidade Federal do ABC (UFABC) e coordenador do projeto. “Por enquanto, é possível fazer buscas sobre pesquisadores individuais. Em um futuro próximo, novas funcionalidades serão incorporadas para facilitar o acesso a informações não apenas de pessoas, mas também de grupos de pesquisa, departamentos e universidades nas mais diversas áreas do conhecimento”, explica.
O nome dado à plataforma faz referência à árvore acácia, uma espécie nativa do sudeste da Austrália cujo formato da copa se assemelha a grafos da genealogia acadêmica brasileira – ou seja, são compactos, remetendo à jovem história da ciência no Brasil. “A ciência brasileira tem poucos anos, quando comparada com a de outros países. É possível identificar com certa facilidade quais foram os pesquisadores que contribuíram de maneira relevante na formação da geração seguinte nas grandes áreas do conhecimento”, diz Mena-Chalco.
A plataforma dedica uma página ao físico paranaense Cesar Lattes (1924-2005), um dos nomes mais importantes da física experimental brasileira. Nela, estão listados os nomes de seus sete “filhos” acadêmicos (orientados) – no total, o número de descendentes diretos e indiretos de Lattes chega a 437. Um dos descendentes diretos de Lattes, por exemplo, é a física Carola Dobrigkeit Chinellato, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que foi orientada por Lattes no doutorado em 1982 e, desde então, gerou 29 descendentes diretos e indiretos.
A genealogia acadêmica organiza os vínculos entre gerações de pesquisadores. O orientador é considerado o “pai” dos mestres e doutores que ajudou a formar. Esses, por sua vez, poderão gerar “netos” acadêmicos e assim por diante. A abordagem é semelhante à de plataformas internacionais disponíveis na internet, como o Mathematics Genealogy Project e o Neurotree Project , que permitem mapear ancestrais acadêmicos dos pesquisadores em matemática e neurociência.
“A Plataforma Acácia pode contribuir para estudos de história e sociologia da ciência brasileira e também fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas”, afirma Rafael Jeferson Pezzuto Damaceno, aluno de doutorado em ciência da computação na UFABC e membro da equipe que elaborou a plataforma. De acordo com ele, a Acácia deverá gerar indicadores capazes de avaliar quais áreas do conhecimento são mais proeminentes no Brasil. “Se for verificado que o número de descendentes é baixo em determinado campo de pesquisa considerado estratégico, o governo poderia criar políticas específicas para incentivar a formação de pesquisadores naquela área”, diz Damaceno.
Por ora, a Plataforma Acácia não disponibiliza informações agrupadas por área do conhecimento nem referentes a programas de pós-graduação ou instituições de pesquisa. A ideia é de que seja criada, em breve, uma aba no site da plataforma para essa opção de busca. “Será possível pesquisar quais são os cientistas com maior descendência acadêmica na física ou nas ciências biológicas, por exemplo”, avisa Mena-Chalco.
Em um estudo publicado no início do ano na revista Scientometrics, Mena-Chalco, Damaceno e outros colaboradores demonstram como os dados da Plataforma Acácia podem ser explorados. Os autores analisaram cerca de 737 mil currículos Lattes e determinaram o grau de interdisciplinaridade entre diversas áreas do conhecimento, com base nas relações entre orientadores e orientandos. “Observamos que as principais áreas do conhecimento, como ciências exatas, biológicas e sociais, têm um certo grau de interdisciplinaridade no Brasil. Não é incomum encontrar biólogos que tiveram como ‘pais’ acadêmicos engenheiros ou físicos, por exemplo”, conta Damaceno. O estudo também avaliou a taxa de fecundidade, uma medida que representa o número de orientações concluídas. “É mais provável que um pesquisador que obteve o título de doutor há 20 anos oriente mais alunos do que aquele que concluiu o doutorado há 50 anos e pode estar mais afastado das atividades acadêmicas”, explica Damaceno.
Mena-Chalco chama a atenção para o fato de que a Plataforma Acácia leva em consideração apenas relações de orientação formal, ou seja, aquelas registradas nos currículos da Plataforma Lattes. Outra característica é que cientistas que não têm currículo Lattes, mas orientaram pessoas que o têm, não ficam de fora da Acácia. Um exemplo é o do parasitologista mineiro Amílcar Viana Martins (1907-1990), que não chegou a ter um currículo na Plataforma Lattes – criada em 1999 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) –, mas seu nome consta na Acácia devido a sua árvore genealógica extensa, com mais de 600 descendentes diretos e indiretos.
Estrangeiros também podem ser encontrados, desde que tenham orientado pelo menos uma pessoa do Brasil. “Esperamos que a Plataforma Acácia seja utilizada por pesquisadores como uma ferramenta para produzir novos trabalhos sobre a comunidade científica brasileira e também para avaliar o êxito de um cientista na tarefa de formar sucessores”, afirma Mena-Chalco.
Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/15/raizes-da-ciencia-brasileira/