Programa de Pós-Graduação em Nutrição
  • Palestra “Barriers to Healthy Portion Control”

    Publicado em 09/09/2016 às 3:02 pm

    Palestra - Barriers to Healthy Portion Control


  • Revista DEMETRA comunica novas orientações para submissão de artigos

    Publicado em 22/08/2016 às 2:03 pm

    “Caro/a leitor/a,

    Antes de submeter seu artigo, leia com a atenção as informações e orientações abaixo.

    DEMETRA vem crescendo com força nos últimos anos. Hoje é a segunda revista brasileira no campo alimentar-nutricional mais utilizada para publicação de artigos por pesquisadores dos programas de pós-graduação inseridos na área de avaliação “Nutrição” na CAPES.

    Assim, é chegada a hora de dar mais um importante passo em nossa trajetória editorial: a redefinição do escopo de artigos a serem publicados.

    Na avaliação dos artigos recebidos passamos a valorizar cada vez mais aqueles que apresentam caráter mais profundo em suas análises. Dessa forma, trabalhos de cunho estritamente descritivo, bem como aqueles de interesse ou aplicação circunscritos a espaços geográficos restritos serão reencaminhados aos autores para ampliação e aprofundamento de suas abordagens. Em outras palavras, ainda que o estudo seja realizado com pequeno número de entrevistados, localidades ou instituições, o artigo correspondente poderá ser publicado desde que o investimento analítico seja substantivo, construído em sólidas bases teórico-metodológicas e trazendo contribuições novas ao conhecimento.

    Enfim, trata-se de mais um passo no sentido da qualificação do periódico e da ciência no campo da Alimentação e Nutrição.

    Para mais informações, veja o Editorial do primeiro número de 2016 intitulado “Reflexões sobre nossa trajetória editorial” em http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra/article/view/21511#.V7g0eZgrKhc.

    Agradecemos seu interesse e apoio contínuo em nosso trabalho.

    Cordialmente,
    Shirley Donizete Prado e Fabiana Bom Kraemer
    Editoras”


  • Dieta da população brasileira está cada vez mais padronizada

    Publicado em 10/08/2016 às 10:58 am

    Elton Alisson | Agência FAPESP – O padrão alimentar de populações situadas em locais isolados na Amazônia, no Nordeste e no Centro-Oeste do Brasil e de comunidades de pescadores no litoral norte de São Paulo está cada vez mais semelhante ao de moradores de regiões urbanas do país.

    A dieta de comunidades ribeirinhas na Amazônia brasileira, que antes era composta principalmente por alimentos produzidos localmente, como peixe com farinha de mandioca, por exemplo, passou a ser integrada por alimentos industrializados, como enlatados e frangos congelados produzidos nas regiões Sul e Sudeste do país.

    As constatações foram feitas por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas das Universidades de Brasília (UnB), Federal do Acre (UFAC) e do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), por meio de uma série de estudos realizados nos últimos anos com apoio da FAPESP.

    Alguns dos resultados dos estudos foram publicados nas revistas Ecology of Food and Nutrition e Environment, Development and Sustainability. E foram apresentados durante a “School of Advanced Science on Nitrogen Cycling, Environmental Sustainability and Climate Change”, que ocorre até 10 de agosto em São Pedro, no interior de São Paulo.

    Realizado pelo Cena-USP e o Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), o evento, financiado pela FAPESP, por meio do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), reúne 100 estudantes de graduação e pós-graduação, sendo 50 do Brasil e 50 do exterior, para discutir sobre a distribuição desigual de nitrogênio no mundo e seu impacto na sustentabilidade ambiental em um cenário de mudanças climáticas globais.

    “De uma forma geral, os dados obtidos indicam uma homogeneização do padrão alimentar no Brasil”, disse Gabriela Bielefeld Nardoto, professora da UnB e uma das autoras dos estudos, à Agência FAPESP.

    “Apesar do isolamento, as populações rurais de diferentes regiões do Brasil têm aderido cada vez mais à ‘dieta de supermercado’, composta por alimentos processados e ultraprocessados”, afirmou.

    Composição isotópica

    A pesquisadora começou a estudar em 2002, durante seu doutorado realizado com Bolsa da FAPESP, os padrões alimentares de populações brasileiras usando a composição isotópica de carbono e nitrogênio em amostras de unha, além de uma entrevista (anamnese) em que os participantes são estimulados a recordar o que consumiram nas últimas 24 horas (leia mais em http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/07/01/dieta-na-ponta-dos-dedos)

    Os estudos iniciais, de 2002, indicaram que a proporção de carbono oriunda de plantas do tipo fotossintético C4 (como cana-de-açúcar, milho e pastagens) na dieta de habitantes de cidades como Piracicaba, no interior de São Paulo, e Santarém, no interior do Estado do Pará, era semelhante.

    Já os moradores de pequenas comunidades rurais, distantes cerca de 50 a 80 quilômetros da cidade de Santarém, apresentam padrões alimentares semelhantes entre si, mas totalmente diferentes em relação a moradores da capital do Pará, Belém.

    A fim de investigar se essas diferenças de padrão alimentar entre o meio urbano e as comunidades rurais persistiam em outras regiões da Amazônia, os pesquisadores decidiriam realizar, entre 2007 e 2010, um estudo mais detalhado por meio de umapesquisa apoiada pela FAPESP, coordenada pelo professor Luiz Antonio Martinelli, do Cena-USP.

    No estudo, eles compararam os padrões alimentares de populações urbanas de Manaus e Tefé, no Amazonas, com comunidades ribeirinhas situadas ao longo do rio Solimões, cuja principal fonte de proteína era o pescado.

    Além disso, também investigaram os padrões alimentares em comunidades de caiçaras na região de Ubatuba, ao longo da Rodovia Rio-Santos, e da população de bairros próximos às encostas da Serra do Mar – conhecidos como “sertões” de Ubatuba.

    Os resultados dos estudos com essas diferentes populações sugeriram que há uma homogeneização do padrão alimentar de moradores que vivem em aglomerados rurais e urbanos de diferentes tamanhos.

    Os pesquisadores não encontraram diferenças isotópicas nas unhas dos integrantes de comunidades caiçaras e do “sertão” de Ubatuba em comparação com os moradores das classes C e D de Piracicaba.

    “Essas populações já aderiram totalmente à dieta de supermercado”, afirmou Nardoto. “Os pescadores das comunidades caiçaras, por exemplo, usam parte do dinheiro que conseguem com a venda do pescado para comprar frango congelado no centro de Ubatuba”, contou.

    Já entre os moradores das regiões rurais da Amazônia, os pesquisadores observaram que há um vínculo mais forte com os alimentos produzidos regionalmente.

    No entanto, notaram uma perda da identidade alimentar dessas populações e a penetração de alimentos industrializados, como frango congelado, bolachas, embutidos e refrigerantes, em suas dietas (leia mais em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/07/11/frango-no-solim%C3%B5es/). 

    “Nossa hipótese era a de que as comunidades mais afastadas dos centros urbanos estariam mantendo a dieta do peixe com farinha. Mas não foi isso que observamos ao longo do rio Solimões”, disse Nardoto.

    Quanto mais estruturada a comunidade ribeirinha em termos de acesso à energia elétrica e diesel para abastecimento de barcos para locomoção, mais seu padrão alimentar se assemelhava ao de populações das cidades, que já aderiram totalmente à dieta de supermercado.

    O hábito de se alimentar de peixe com farinha de mandioca, por exemplo, está muito mais restrito hoje ao almoço, exemplificou a pesquisadora.

    “Eles acabaram preservando consciente ou inconscientemente esse hábito no almoço. Já no jantar e no café da manhã passaram a consumir mais alimentos processados e ultraprocessados”, disse.

    A fim de verificar se essa diminuição da diferença do padrão alimentar de populações rurais e urbanas observada em São Paulo se repetia em outras regiões do país, os pesquisadores realizaram um estudo com duas comunidades sertanejas de Mossoró, no Rio Grande do Norte, com moradores da região urbana da cidade e com uma comunidade caiçara na Reserva do Tubarão em Natal, na capital potiguar.

    Os resultados das análises indicaram que a composição isotópica das unhas dos integrantes das comunidades caiçaras era semelhante à das sertanejas e à dos moradores da região urbana de Mossoró.

    “Pensamos que poderia haver uma diferença no padrão alimentar das populações do sertão, da cidade e litorânea, mas a assinatura isotópica deles é a mesma”, disse Nardoto.

    “Esse padrão é muito parecido com o que observamos no Norte, Centro-Oeste e no Estado de São Paulo”, comparou.

    Um estudo recente realizado por Rodrigo de Jesus Silva, da Esalq, com Bolsa de doutorado concedida pela FAPESP, analisou a mudança do padrão alimentar de comunidades remanescentes do quilombo Kalunga, situadas na Chapada dos Veadeiros.

    Ele constatou que as comunidades que têm mais fácil acesso à estrada já adotaram a “dieta do supermercado”.

    Já as comunidades que têm menor acesso à estrada e estão situadas em regiões de difícil acesso apresentam uma dieta mais baseada em alimentos produzidos regionalmente.

    “Essas comunidades foram as únicas dentre as que pesquisamos em que observamos essa continuação do padrão alimentar”, disse Nardoto.

    Simplificação das fontes

    Na avaliação da pesquisadora, a homogeneização do padrão alimentar no Brasil, em razão de fatores como aumento da urbanização e melhoria das condições sociais – que têm levado a mudanças no estilo de vida e à substituição de alimentos produzidos localmente por itens processados –, tem causado uma simplificação das fontes alimentares e uma mudança de uma alimentação C3 para C4.

    A dieta do brasileiro, que até então era baseada em alimentos oriundos de plantas do tipo fotossintético C3, como o arroz e o feijão, tem se tornado cada vez mais composta por alimentos originados de plantas C4, como o milho e a soja, presentes na ração de diversos animais, além da cana-de-açúcar.

    “Os alimentos C4 não fazem mal à saúde. O problema é como são processados, o que faz com que tenham alto teor de gordura, sal e açúcar e contribuam para o aumento da incidência de obesidade e de doenças cardiovasculares”, ponderou.

    Já a perda da identidade alimentar pelas comunidades tradicionais também pode ter impactos na conservação ambiental, apontou.

    “À medida que essas comunidades perdem sua identidade alimentar, também acabam perdendo sua relação com a paisagem local. Se não precisam mais do peixe para se alimentar, o rio deixa de ser uma fonte alimentar e passa a ser somente um meio de transporte”, avaliou.

    O artigo “Food insecurity in urban and rural areas in Central Brazil: transition from locallu produces foods to processed items” (doi: 10.1080/03670244.2016.1188090), de Livia Penna Firme Rodrigues e outros, pode ser lido por assinantes da revista Ecology of Food and Nutrition em www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/03670244.2016.1188090.

    E o artigo “Factors influencing the food transition in riverine communities in the Brazilian Amazon” (doi: 10.1007/s10668-016-9783-x), de Rodrigo de Jesus Silva e outros, pode ser lido na revista Environment, Development and Sustainability emlink.springer.com/article/10.1007/s10668-016-9783-x.

    Fonte: Agência FAPESP


  • Concurso Público para professor adjunto em nutrição da UNIFESP: Dietética

    Publicado em 01/08/2016 às 2:32 pm
    Está aberto o edital de concurso para Professor Adjunto no curso de Nutrição, na subárea Dietética, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). O período de inscrições é de 04 de julho a 01 de setembro de 2016.
    Mais informações no edital em anexo: EDITAL Nº 432, DE 27 DE JUNHO DE 2016

  • Convite Defesa de Doutorado

    Publicado em 29/07/2016 às 2:16 pm

    convite de defesa Diane


  • DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde publica nova edição

    Publicado em 26/07/2016 às 3:25 pm

    A revista DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde acaba de publicar seu último número (v. 11, n. 2, 2016), disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/demetra.

    Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e outros itens de seu interesse.


  • Abertas as inscrições para a IV Mostra de Experiências de Alimentação e Nutrição no Sistema Único de Saúde

    Publicado em 20/07/2016 às 1:02 pm

    A Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN), em parceria com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), e a Associação Brasileira de Nutrição (Asbran), realizará a IV Mostra de Experiências em Alimentação e Nutrição no SUS no dia 26 de outubro de 2016, durante o CONBRAN 2016 – XXIV Congresso Brasileiro de Nutrição, em Porto Alegre – RS

    A IV Mostra tem o objetivo de identificar, valorizar e divulgar as ações exitosas que apontam caminhos possíveis para concretização do propósito da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN): a melhoria das condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira, mediante a promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição.

    Poderão ser inscritos para participar da IV Mostra trabalhos e fotografias que relatem experiências de ações de alimentação e nutrição no âmbito do SUS. Serão aceitos relatos de experiência com relação a quatro eixos temáticos:

    ·         Atenção Nutricional no Sistema Único de Saúde;

    ·         Gestão das Ações de Alimentação e Nutrição;

    ·         Formação Profissional e Educação Permanente; e

    ·         A interface da Saúde em Todas as Políticas.

    As inscrições dos trabalhos deverão ser feitas até dia 05 de agosto somente pela internet no link http://www.conbran.com.br/mostra.php , conforme especificações do Regulamento.

    Será realizado um processo próprio de inscrição e seleção para participação na IV Mostra de Experiências de Alimentação e Nutrição no SUS. Desse modo, esclarecemos que a IV Mostra ocorrerá durante o XXIV CONBRAN, mas a participação na mesma não estará vinculada à inscrição e participação no Congresso. Isso significa que a inscrição na IV Mostra não dará direito automático de participação no XXIV CONBRAN.

    Ainda, os trabalhos já inscritos no XXIV CONBRAN poderão participar da IV Mostra desde que façam inscrição na mesma.

    Divulgue aos seus contatos e compartilhe sua experiência!

    Maiores informações pelo e-mail ivmostra.nutricao@gmail.com

    Comissão Organizadora da IV Mostra de Experiências de Alimentação e Nutrição no SUS

    Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN)

    Departamento de Atenção Básica (DAB/SAS)

    Ministério da Saúde (MS)


  • Notificação dos açúcares de adição em rótulos de alimentos industrializados comercializados no Brasil

    Publicado em 20/07/2016 às 12:49 pm

    Esta pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) no âmbito do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É resultado da dissertação de mestrado defendida pela nutricionista Tailane Scapin, em julho de 2016, sob a orientação da professora Rossana Pacheco da Costa Proença em parceria com a professora substituta Ana Carolina Fernandes. O estudo foi apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio da concessão de bolsa de mestrado à aluna.

    A dissertação está inserida em um projeto amplo sobre rotulagem de alimentos que conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

    A presente pesquisa teve como objetivo investigar como os açúcares de adição são notificados na lista de ingredientes dos rótulos de alimentos industrializados disponíveis para venda em um supermercado pertencente a uma das dez maiores redes de supermercados do Brasil. Os açúcares de adição são açúcares e xaropes adicionados aos alimentos e bebidas durante o processamento industrial, a preparação culinária ou à mesa. Além dos açúcares de adição em si, os alimentos podem apresentar ingredientes passíveis de contê-los (IPAA), definidos como aqueles que, devido à composição conhecida ou à característica doce, podem apresentar açúcares de adição em sua formulação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a limitação no consumo dos açúcares de adição para não mais que 10% das calorias totais diárias em virtude das evidências da relação entre o consumo excessivo desses açúcares de adição e prejuízos à saúde. Contudo, não há declaração quantitativa dos açúcares de adição na informação nutricional dos rótulos, sendo a lista de ingredientes a única forma de identificação da presença desses açúcares nos alimentos industrializados.

    Foram analisados 4539 alimentos industrializados, dos quais 70% apresentavam açúcares de adição ou Ingredientes passíveis de contê-los (IPAA) em sua composição. Houve a identificação de 262 nomenclaturas diferentes para se referir aos açúcares de adição ou IPAA. Os tipos de açúcares de adição mais frequentes foram açúcar, seguido de maltodextrina e xarope de glicose. Os IPAA mais frequentes foram gelatina, chocolate e polpa de tomate.

    Os alimentos incluídos na pesquisa foram divididos segundo os grupos de alimentos propostos pela legislação brasileira, resolução RDC nº 359 de 2003 da ANVISA. Em sete dos oito grupos alimentares constantes na legislação, houve a presença de açúcares de adição em mais da metade dos alimentos que compunham cada grupo. O grupo VII, dos açúcares e produtos com energia proveniente de carboidratos e gorduras, foi o que apresentou maior prevalência de alimentos com açúcares de adição. Conforme esperado, quase a totalidade dos alimentos desse grupo (92%), que inclui biscoitos doces, bolos, geleias e chocolate, apresentou açúcares de adição. Porém, também houve prevalência elevada de alimentos com açúcares de adição em grupos de alimentos de sabor predominantemente salgado, como os grupos II – verduras, hortaliças e conservas vegetais (58%), V – carnes e ovos (60%) e VIII – molhos, temperos prontos, caldos, sopas e pratos preparados (61%). O grupo IV, de leite e derivados, também apresentou elevada prevalência de alimentos contendo açúcares de adição, equivalente a 63,5%.

    Assim, este estudo evidencia que a maioria dos alimentos industrializados disponíveis para venda no Brasil contém açúcares de adição ou IPAA em sua composição, que pode dificultar o seguimento das recomendações de limitação do consumo propostas pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, a variedade de nomenclaturas pode levar os consumidores a ingerir os açúcares de adição sem conhecimento, mesmo que consultem a lista de ingredientes. Tal consequência pode ocorrer em, no mínimo, duas situações. A primeira é a utilização de denominações de ingredientes utilizando termos de difícil compreensão, como a maltodextrina, e a identificação como sendo açúcares de adição. A segunda situação é a dificuldade de identificação da presença de ingredientes passíveis de conter açúcares de adição, como, por exemplo, a polpa de tomate. Nesse contexto, sugere-se a revisão da legislação brasileira de rotulagem de alimentos em dois aspectos. Primeiro, tornando obrigatória a declaração quantitativa dos açúcares de adição na tabela de informações nutricional, para facilitar a identificação e a quantificação dos açúcares de adição pelos consumidores. Segundo, estabelecendo regras mais claras quanto à padronização das nomenclaturas dos ingredientes na lista dos rótulos.

    Contatos: Tailane Scapin (tailane.ntr@gmail.com)

    Ana Carolina Fernandes (anacarolinafernandes@gmail.com)

    Rossana Pacheco da Costa Proença (rossana.costa@ufsc.br)

    Documento em PDF: Nota de Imprensa – Dissertação NUPPRE PPGN UFSC Tailane Scapin 2016


  • Informação Nutricional Complementar em rótulos de alimentos industrializados direcionados a crianças

    Publicado em 20/07/2016 às 12:43 pm

    A Informação Nutricional Complementar (INC) é um tipo de alegação utilizada nos rótulos para destacar propriedades nutricionais específicas dos alimentos, como por exemplo, o acréscimo de vitaminas ou a redução do teor sódio. Entretanto, a INC não significa que o alimento tem boa qualidade nutricional. Autores discutem se a INC tem o potencial de levar os consumidores a perceberem os alimentos como mais saudáveis do que realmente são. Essa possibilidade se torna ainda mais preocupante quando se considera a presença de INC em alimentos industrializados direcionados a crianças. Tais alimentos estão entre os mais consumidos nessa faixa etária, no qual também é crescente a prevalência de sobrepeso e obesidade.

    Diante disso, analisar questões relacionadas à presença de INC nos rótulos de alimentos direcionados a crianças foi o objetivo da tese de doutorado defendida pela nutricionista Vanessa Mello Rodrigues, em julho de 2016, sob orientação da professora do departamento de Nutrição, Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates. A pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) e no Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com parceria da professora Rossana Pacheco da Costa Proença e apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio da concessão de bolsa de doutorado.

    A tese foi desenvolvida em três etapas. A fase inicial investigou a disponibilidade de alimentos direcionados a crianças em um supermercado de Florianópolis, identificou as INC nos rótulos e comparou a composição nutricional entre alimentos com e sem INC. Entre os 5620 alimentos que compuseram o banco de dados, cerca de 10% (535) tinham estratégias de marketing direcionadas a crianças (ex. personagens de desenhos animados, passatempos, brindes) e constituíram a amostra. Mais da metade dos alimentos direcionados a crianças (56,1%) pertencia ao grupo que inclui achocolatados, biscoitos doces recheados, balas, refrigerantes e salgadinhos. Aproximadamente metade dos alimentos avaliados (50,5%) apresentava no mínimo uma INC no rótulo. Os alimentos com INC apresentaram composição nutricional semelhante aos alimentos sem INC para a maioria dos itens avaliados, com exceção do sódio. Alimentos com INC apresentaram maior conteúdo de sódio que alimentos sem INC.

    A segunda etapa da pesquisa avaliou a qualidade nutricional dos alimentos com INC nos rótulos direcionados a crianças utilizando duas abordagens diferentes: por perfil nutricional e por nível de processamento. Para avaliação do perfil nutricional foi utilizado o modelo UK Ofcom Nutrient Profiling, que regula a publicidade de alimentos e bebidas direcionados a crianças na televisão do Reino Unido e está sendo implantando nas legislações sobre rotulagem da Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Os alimentos foram classificados em “mais saudáveis” e “menos saudáveis” com base em um escore ponderado relativo ao conteúdo de nutrientes e ingredientes por 100 g de um alimento ou bebida. Para avaliar os alimentos com base no seu nível de processamento, foram utilizadas as recomendações publicadas em novembro de 2014, na 2ª edição do Guia alimentar para a população brasileira. Alimentos in natura e minimamente processados foram considerados “mais saudáveis”, enquanto alimentos processados e ultraprocessados foram classificados como “menos saudáveis”. Após as análises, o modelo baseado no nível de processamento categorizou mais alimentos com INC como „menos saudáveis‟ (96%) do que o modelo por perfil nutricional (74%). Entretanto, independentemente do modelo utilizado, pelo menos 3/4 dos alimentos direcionados a crianças com INC foram classificados como „menos saudáveis‟.

    Destaca-se que Vanessa realizou um estágio de doutorado sanduíche na Universidade de Oxford, Inglaterra, com o grupo coordenado pelo criador do modelo UK/Ofcom Nutrient Profiling, prof. Mike Rayner, buscando discutir a aplicabilidade desse modelo aos alimentos comercializados no Brasil. O estágio foi realizado entre janeiro e setembro de 2015, com bolsa do Programa Ciência Sem Fronteiras do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    A etapa final do trabalho buscou investigar a percepção de pais sobre alimentos ultraprocessados com INC nos rótulos direcionados a crianças e se essas alegações poderiam influenciar nas suas escolhas. Foram realizadas entrevistas presenciais com pais de crianças entre 7 e 10 anos. Embalagens de alimentos ultraprocessados com estratégias de marketing para crianças e INC nos rótulos foram utilizadas para orientar a condução das entrevistas. De acordo com os resultados, apenas alguns pais referiram que não se influenciariam pelas alegações nos rótulos, por avaliarem que esses destaques não melhoravam a baixa qualidade nutricional dos alimentos. Por outro lado, apesar de reconhecerem os alimentos ultraprocessados direcionados a crianças como pouco saudáveis, a presença da alegação nutricional pareceu funcionar para alguns pais como mais um estímulo para aquisição tais alimentos, juntamente com a praticidade e boa aceitação dos filhos.

    O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078 de 11 de Setembro de 1990, em seu artigo 37, dispõe que é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. Define como enganosa, entre outras questões, “qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, capaz de induzir ao erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços”. Além disso, como abusiva, “publicidade discriminatória de qualquer natureza, que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”. Portanto, a pesquisadora ressalta que o destaque de atributos considerados positivos nos rótulos de alimentos avaliados como não saudáveis tanto pelo parâmetro nacional, baseado no nível de processamento, quanto por um parâmetro internacional, baseado no perfil nutricional, constitui publicidade enganosa e abusiva e deve ser proibido.

    A partir dos resultados obtidos na tese, espera-se iniciar a discussão sobre restrições ao uso de INC em alimentos pouco saudáveis. Essas medidas buscam evitar más interpretações que possam promover escolhas pouco saudáveis e contribuir com a proteção à saúde das pessoas, especialmente das crianças, população vulnerável aos efeitos do marketing de alimentos.

    CONTATOS:

    Vanessa Mello Rodrigues (v.mellorodrigues@yahoo.com.br)

    Prof.ª Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates (giovanna.fiates@ufsc.br)

    Prof.ª Rossana Pacheco da Costa Proença (rossana.costa@ufsc.br)

    PPGN/UFSC – http://www.ppgn.ufsc.br/

    NUPPRE – http://nuppre.ufsc.br/

    Documento em PDF: Nota de imprensa tese PPGN NUPPRE UFSC Vanessa Mello Rodrigues 2016


  • Seleção Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior 2016 – vigência 2017

    Publicado em 20/07/2016 às 12:36 pm

    Seleção Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior 2016 – vigência 2017

    Conforme edital CAPES nº19/2016, o Programa de Pós-Graduação em Nutrição estipulou algumas diretrizes e regras para a seleção de bolsistas a serem contemplados com as cotas de bolsa de Doutorado Sanduíche no exterior.

    Os interessados deverão entregar, para inscrição, entre os dias 19 de julho e 19 de agosto de 2016, os documentos presentes nas Regras do PPGN e no Edital da CAPES para concorrer à bolsa. A seleção será feita conforme as regras vigentes e o resultado será divulgado em 23 de agosto de 2016.

    Regras PDSE PPGN UFSC Regras PDSE PPGN UFSC – Retificado 29 de julho 2016
    Edital CAPES PDSE – 2016 Edital CAPES PDSE (2016)
    RESULTADO Edital CAPES PDSE RESULTADO Edital PDSE CAPES 2016