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Programa de Pós-Graduação em Nutrição

Seleção de Mestrado e Doutorado PPGN UFSC 2016
Publicado em 02/12/2015 às 3:34 pm

Cartaz divulgação seleção PPGN UFSC 2016

Convite Palestra: Investigating the habits of shoppers in real settings. What motivates healthy food purchases?
Publicado em 11/02/2016 às 1:00 pm

Palestra Moira Dean (1)

Boletim Brasil Social – Fevereiro/2016‏
Publicado em 11/02/2016 às 12:39 pm

Governo Federal investiu R$ 567,2 milhões na compra de alimentos da agricultura familiar. Montante contribui para segurança alimentar e nutricional da população de baixa renda. Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) fortalece canais de comercialização das famílias e contribui para segurança alimentar e nutricional da população de baixa renda. Leia mais
Desde 2003, já foram entregues mais de 1,2 milhão de tecnologias de acesso à água no Semiárido. Leia mais
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Campanha: Combate ao mosquito Aedes aegypti. Ouça e saiba como é possível eliminar os focos do mosquito na sua casa. Participe da campanha! Ouça 
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Fraudes escamoteadas
Publicado em 03/02/2016 às 11:45 am

Pesquisadores que falsificam dados em artigos científicos costumam adotar padrões de escrita para tentar mascarar pistas de má conduta. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado por Jeff Hancock e David Markowitz, professores do Departamento de Comunicação da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. No trabalho publicado em novembro no Journal of Language and Social Psychology, eles mostram que há distinções no estilo de escrita em artigos fraudulentos e não fraudulentos. Os autores analisaram 253papers publicados em vários periódicos na área de biomedicina que foram retratados entre 1973 e 2013. Com a utilização de técnicas de linguística computacional, os documentos foram comparados com artigos que não foram alvo de retratação, publicados nas mesmas revistas e no mesmo período, abrangendo assuntos parecidos. Os resultados mostram que os artigos retratados apresentam um nível elevado do que eles chamam de “ofuscamento linguístico”. “Cientistas que falsificam dados têm consciência de que estão cometendo má conduta e não querem ser pegos. Uma estratégia para contornar isso é tentar ofuscar a fraude por meio de palavras ou expressões no texto”, explicou Markowitz aosite da Universidade Stanford. Esse fenômeno já havia sido observado em relatórios financeiros. “Quisemos verificar se o mesmo ocorre em artigos científicos.”

Observou-se, por exemplo, que os artigos fraudulentos apresentam um número maior de jargões técnicos: em média, cerca de 60 termos especializados a mais do que em artigos não fraudulentos. Uma explicação possível é que essas palavras, incomuns na comunicação do cotidiano, ajudam a simular o lastro científico do artigo. Também ocorre uma incidência menor de termos que expressam emoções ou juízo de valor, como “sucesso” ou “melhorar”, nos papers retratados. De acordo com os autores da pesquisa, utilizar menos palavras que soem positivas, como afirmar que os resultados obtidos são “satisfatórios”, serve para não chamar a atenção do leitor em relação aos dados falsificados no artigo. “Nosso trabalho é uma contribuição dentro de um esforço de pesquisa que busca compreender como a linguagem pode revelar dinâmicas sociais e psicológicas, como a fraude”, explica Markowitz. No entanto, ele ressalta a necessidade de mais estudos sobre o assunto para que essa abordagem possa ser utilizada para detectar fraudes.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

Cidades sustentáveis e saudáveis: microcefalia, perigos do controle químico e o desafio do saneamento universal
Publicado em 02/02/2016 às 6:05 pm

Abrasco emite Nota oficial onde diz não às mesmas medidas ineficazes e perigosas e sim às ações socioambientais transformadoras

A Abrasco manifesta-se através da atuação dos Grupos Temáticos de Saúde e Ambiente; Saúde do Trabalhador; Vigilância Sanitária; Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável e ainda Educação Popular em Saúde, sobre a epidemia de microcefalia. O documento pretende aprofundar reflexões, questionamentos e fazer proposições que possam orientar as políticas públicas na intervenção preventiva frente ao surto.

O crescimento exponencial da epidemia de dengue (em 2015, o Ministério da Saúde registrou 1,649,008 casos prováveis desta virose no país e houve um aumento de 82,5% dos óbitos em relação ao ano anterior). A expansão territorial da infestação pelo Aedes aegypti atestam o fracasso da estratégia nacional de controle. Com o surgimento da epidemia do zika vírus, com repercussões ainda mais danosas ao ser humano, urge a revisão de nossa política e do programa de controle da infestação dos Aedes visando impedir a ocorrência de epidemias por arbovírus.

Vários fatores estão envolvidos na causa dessa tragédia sanitária. Trata-se de um fenômeno complexo. Para a Abrasco, a degradação das condições de vida nas cidades, saneamento básico inadequado, particularmente no que se refere à dificuldade de acesso contínuo a água, coleta de lixo precária, esgotamento sanitário, descuido com higiene de espaços públicos e particulares – são os principais responsáveis por esse desastre.

Observa-se que a distribuição espacial por local de moradia das mães dos recém-nascidos com microcefalia (ou suspeitos) é maior nas áreas mais pobres, com urbanização precária e  saneamento ambiental inadequado. Nestas áreas, o provimento de água de forma irregular ou intermitente leva essas populações ao armazenamento domiciliar de água de modo inadequado, condição muito favorável para a reprodução do Aedes aegypti.

Associa-se a isto a debilidade do Sistema Único de Saúde – SUS e do Estado brasileiro para enfrentar este problema. Não há integração entre municípios, estados e União, o que impede a implementação de ações sincronizadas. Defendemos a constituição de estruturas de Vigilância à Saúde, em cada uma das 400 Regiões de Saúde, com unificação de recursos visando planejamento e gestão das ações tanto dos municípios quanto de estados e União.

O enfrentamento destas epidemias necessita de ações que atuem em curto e médio prazo: – Apoio e articulação de pesquisas voltadas para produção de vacinas, com prioridade para o zika vírus; estudos para produzir  conhecimentos da epidemia desta doença, definindo cientificamente seu modo(s) de transmissão, danos ao sistema nervoso, desenvolvimento em escala de testes clínicos, dentre outras inciativas . – Controle da infestação de Aedes, por meio do desenvolvimento de ações imediatas em larga escala de destruição de criadouros e  melhoria das condições sócio-ambientais de nossas cidades. É importante assinalar que estas intervenções urbanas precisam ser realizadas de forma contínua e sistemática, e não como campanhas sanitárias pontuais. O terceiro tipo de ação se refere ao cuidado preventivo e atenção à saúde das pessoas expostas ao risco e infectadas.
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Ética em pesquisas patrocinadas
Publicado em 18/01/2016 às 2:39 pm

O Committee on Publication Ethics (Cope), fórum que fornece aconselhamento sobre ética e integridade para editores de revistas científicas, deu aval em novembro para o GPP3, a mais nova versão do código de boas práticas para a divulgação de pesquisas patrocinadas por empresas médicas, farmacêuticas e de biotecnologia. O guia foi lançado pela primeira vez em 2003, formulado por um pequeno grupo de profissionais com atuação em indústrias de medicamentos, e sofreu uma primeira atualização em 2009 com a colaboração de cerca de 200 editores e pesquisadores, na maioria norte-americanos. Desta vez, o escopo foi ampliado, com a contribuição de membros da Europa e da Ásia.

O código traz novas seções que incorporam diretrizes consagradas em outros documentos, como a que condena o plágio ou a que especifica os tipos de contribuição que habilitam um pesquisador a assinar um artigo como autor. Também avança ao recomendar etapas precisas para o processo de publicação, como a formulação de um planejamento para assegurar que tanto os resultados positivos como os negativos sejam divulgados, que os dados sejam apresentados em congressos médicos relevantes na primeira oportunidade possível e que se evite a publicação dos achados em mais de um periódico.

Outra novidade é o capítulo sobre o papel dos redatores médicos na confecção dos artigos. O guia recomenda que os autores tenham ajuda desses profissionais para melhorar a qualidade e a clareza dos textos. Essa contribuição, porém, apenas em casos excepcionais qualifica os redatores a se tornarem coautores do trabalho. Mas a colaboração deve ser declarada no artigo e não se confunde com o trabalho de umghost writer.

Segundo Liz Wager, ex-presidente do Cope que ajudou a formular as três versões do código, o tom do documento é mais assertivo do que o dos anteriores. “Muitas das normas que eram precedidas com ‘nós recomendamos’ foram substituídas por afirmações sobre o que empresas, pesquisadores e autores ‘deveriam’ ou ‘devem’ fazer”, disse ela em seu blog. Tanto a nova versão do guia como as anteriores afirmam, com clareza, que “todos os resultados de um ensaio clínico devem ser reportados”. Se hoje essa afirmação está amparada por outros códigos de boas práticas e pela legislação dos Estados Unidos, na época em que o primeiro GPP foi lançado o assunto era cercado de controvérsia. Pouco antes da divulgação da primeira versão do guia, a indústria farmacêutica norte-americana lançou diretrizes próprias, segundo as quais apenas os “resultados significativos” precisariam ser divulgados. O GPP3 admite que nem sempre os resultados de testes clínicos são apropriados para gerar um artigo. Mas recomenda que todos os dados de ensaios sejam divulgados em repositórios públicos.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

Exercícios para restaurar o coração
Publicado em 18/01/2016 às 2:37 pm

Pesquisadores explicam como treinamento aeróbico e de resistência muscular reverte danos decorrentes da insuficiência cardíaca.

Mário Pedro Bernardes é um homem grande e forte. Com 1,90 metro de altura, sempre esteve habituado a executar tarefas que exigiam força física. Foi cinegrafista de uma rede de TV durante anos e, nas reportagens, carregava uma câmera de 7 quilos nos ombros. Mas em 2012, aos 47 anos, ele teve de se aposentar. Mário fez um exame para participar como voluntário saudável de um estudo e descobriu que seu coração não andava bem. Uma infecção por vírus, provavelmente antiga, havia causado lesões no músculo cardíaco e o órgão já não bombeava mais o sangue como deveria. Ele havia desenvolvido insuficiência cardíaca, um problema complexo que reduz a capacidade do coração de distribuir o sangue pelo corpo e é uma das principais causas de morte no Brasil.

Um infarto ocorrido meses mais tarde deixou Mário internado por uma semana em uma UTI e agravou o quadro. Ao receber alta, foi aposentado por invalidez e seu cardiologista à época recomendou que não fizesse atividade física. Deveria tomar os medicamentos para auxiliar o funcionamento do coração e poderia, no máximo, realizar “caminhadas leves”. Mas nem isso ele conseguia. “Eu andava um quarteirão e tinha de parar para descansar; se eu falasse, cansava antes disso”, contou Mário em uma manhã de novembro deste ano, logo após uma sessão de treino em que pedalou por 40 minutos uma bicicleta ergométrica em um dos laboratórios do Instituto do Coração (InCor) da Universidade de São Paulo (USP).

Mário é um dos quase 150 voluntários que nos últimos anos passaram por um programa de treinamento no InCor destinado a avaliar o efeito do exercício físico sobre a saúde de pessoas com insuficiência cardíaca. Dirigido pelo fisiologista Carlos Eduardo Negrão, o programa vem ajudando a demonstrar que, ao lado do uso de medicamentos, a prática regular de exercício físico é fundamental para restaurar a saúde de quem está com o coração doente. “Das pessoas que participaram do treinamento, a grande maioria melhorou”, conta a pesquisadora Lígia Antunes-Corrêa, integrante do grupo.

Só participa do programa quem se encontra em condição clínica estável, obtida com o auxílio de medicamentos. Os pesquisadores avaliam a capacidade cardiorrespiratória de cada indivíduo e preparam um plano progressivo de treino até que seja alcançado o nível desejado de exercício físico. A meta é realizar 40 minutos de exercício aeróbico e outros 20 de exercícios de resistência muscular e flexibilidade três vezes na semana. O treinamento dura quatro meses, tempo suficiente para começar a resgatar a qualidade de vida e a capacidade de desempenhar muitas das atividades diárias, como tomar banho sozinho ou fazer uma caminhada até o supermercado, perdidas com a insuficiência cardíaca.

050_055_exercício_238-02“Depois que fiz o treinamento pela primeira vez, senti mais disposição”, disse Mário, que, agora aos 50 anos, participa de um segundo estudo conduzido pelo grupo de Negrão. Boa parte dessa disposição, porém, desapareceu quando Mário deixou de fazer exercício físico. “O efeito do exercício é perdido quando o treinamento é descontinuado”, explicou Lígia.

“A prática regular de exercício físico é mandatória para as pessoas com insuficiência cardíaca com controle clínico adequado”, afirma Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do InCor. Desde fins dos anos 1990 ele e sua equipe vêm demonstrando que o exercício ajuda a estabilizar – e muitas vezes a reverter – as alterações que a insuficiência cardíaca provoca no organismo, funcionando de modo complementar aos medicamentos.

Nesses quase 20 anos, o trabalho de seu grupo, em paralelo ao de equipes na Europa e nos Estados Unidos, identificou algumas das modificações nos níveis bioquímico, celular e tecidual induzidas pelo exercício. São alterações que reequilibram o funcionamento dos sistemas muscular, vascular e endócrino e ajudam a explicar como o exercício físico praticado regularmente melhora o bem-estar de quem tem insuficiência cardíaca.

As evidências acumuladas nesse período levaram o exercício físico a ser incorporado às estratégias de tratamento da insuficiência cardíaca recomendadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pelo Colégio Americano de Cardiologia e pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte. “Até os anos 1990, havia dúvidas sobre os benefícios dos exercícios e recomendava-se repouso”, conta Dirceu Rodrigues de Almeida, presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca da SBC e responsável pela Divisão de Insuficiência Cardíaca e Transplante Cardíaco da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De lá para cá, muito disso mudou. “Ainda nos anos 1990 começaram a surgir evidências de que o exercício físico aumentava o bem-estar dos pacientes e na década seguinte passou-se a compreender como ele minimizava e, eventualmente, até revertia as alterações causadas pela insuficiência cardíaca.”
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Zika: o vírus que pegou o país de surpresa
Publicado em 18/01/2016 às 2:29 pm

Cerca de 30 laboratórios de São Paulo se unem para investigar o agente infeccioso que ameaça o Brasil com uma epidemia de microcefalia.

Vestida como uma cirurgiã, a pesquisadora Stella Melo trabalhava em total silêncio em um laboratório de biossegurança da Universidade de São Paulo (USP) na tarde da sexta-feira 11 de dezembro. No interior de uma cabine na qual só circula ar filtrado, ela semeava células de rim de macaco em garrafas plásticas contendo um líquido rosado nutritivo. Embora usasse máscara, evitava falar para não correr o risco de contaminar o material. Dias mais tarde aquelas células serviriam para reproduzir o vírus Zika, um agente infeccioso que por décadas foi considerado inofensivo e agora assusta o Brasil e o mundo porque, suspeita-se, está associado ao nascimento de bebês com o cérebro menor que o normal, um problema sem cura conhecido como microcefalia congênita.

Na quinta-feira seguinte, dia 17, a virologista Danielle Leal de Oliveira usou parte das células preparadas por Stella para iniciar a cultura de Zika e anunciou em um e-mail: “Inoculei os vírus hoje. Estamos de dedos cruzados para ver se eles crescem”. Danielle e Stella integram a equipe do virologista Edison Durigon no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e trabalhavam duro para replicar as amostras de Zika recebidas do Instituto Evandro Chagas, no Pará. O objetivo era multiplicar o vírus e compartilhar com grupos do Brasil e do exterior que planejavam estudá-lo. Interessados não faltavam.

Desde que o Zika ganhou importância mundial em novembro com os casos de microcefalia, o virologista Paolo Zanotto, colega de Durigon e seu vizinho de sala na USP, não pensa em outra coisa a não ser conter o vírus. Especialista em evolução dos flavivírus, o grupo a que pertence o Zika, Zanotto sabe que é grande o risco de o vírus se espalhar pelo país – em especial pelo estado de São Paulo, onde se encontra disseminada a população urbana de seu transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Ele sabe também que só há chance de conter o Zika com um esforço coordenado de pesquisadores, poder público e população.
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66% dos índios em reserva Xavante sofrem de obesidade, diabetes e doença coronariana
Publicado em 18/01/2016 às 2:01 pm

O consumo de alimentos industrializados – principalmente refrigerantes – e o sedentarismo têm causado um aumento expressivo nos casos de Síndrome Metabólica entre os índios xavantes das reservas de São Marcos e Sangradouro/Volta Grande, ambas no Mato Grosso.

Entre a população total de 4.065 indivíduos das duas reservas, foram estudados 932 índios com 20 anos ou mais. Destes, 66,1% apresentaram Síndrome Metabólica, definida como uma condição na qual os fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes mellitus ocorrem em um mesmo indivíduo.

Os seus principais componentes são obesidade abdominal, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e distúrbios do metabolismo da glicose. É o que revela uma pesquisa publicada no periódico Diabetology & Metabolics Syndrome. O trabalho faz parte da tese de doutorado da Profa. Luana Padua Soares, do curso de Nutrição da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), apoiada pela FAPESP.

Entre as mulheres a incidência de Síndrome Metabólica é mais elevada. Nada menos do que 76,2% das índias que participaram do estudo têm a doença, contra 55,6% dos homens. De acordo com a pesquisadora, “a obesidade abdominal parece ter um papel fundamental na gênese da Síndrome Metabólica. Nesse sentido, a elevada prevalência de excesso de peso entre as mulheres xavantes poderia ser um dos fatores que justificam as elevadas prevalências de SM no sexo feminino. Embora não tenha sido objeto do nosso estudo, percebe-se também que as mulheres apresentam níveis menos intensos de atividade física”.

Sedentarismo é uma das possíveis explicações para a grande incidência de Síndrome Metabólica entre os xavantes. Não é a única. Acredita-se que a principal razão para o elevado número de casos de obesidade, diabetes mellitus e outras doenças é a mudança dos hábitos alimentares, com aumento do consumo de alimentos industrializados, especialmente de refrigerantes e outros alimentos ricos em açúcares. “No entanto, no meu entendimento, muitos dos xavantes ainda não têm conhecimento da dimensão do problema e dos riscos que esse perfil representa para a saúde dos indígenas”, diz Luana.

Segundo a pesquisadora, dados de 1999 a 2004 mostram que os xavantes apresentam elevados níveis de mortalidade (11,4 óbitos por mil habitantes), especialmente no primeiro ano de vida (96,7 óbitos de crianças menores de 1 ano por mil nascidos vivos). “São valores bastante superiores às médias da população brasileira. A expectativa de vida era aproximadamente 61,7 anos, ou seja, próximo do valor médio encontrado para o Brasil 27 anos atrás.”

Estratégia de prevenção
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Lei de alimentação saudável vai impactar a Bolívia
Publicado em 18/01/2016 às 1:41 pm

Na última sexta-feira, 8, o governo da Bolívia aprovou uma lei que estabelece diretrizes e mecanismos para promover hábitos alimentares mais saudáveis entre a população e prevenir doenças crônicas relacionadas à alimentação, como obesidade e hipertensão. A medida prevê a regulação da publicidade, mudanças na rotulagem de alimentos e ações que promovam hábitos mais saudáveis. Outros países da América Latina já têm leis semelhantes que podem inspirar melhorias na legislação brasileira

Para o Idec, a medida representa um avanço nos direitos dos consumidores em prol da alimentação adequada. “A aprovação da lei boliviana reforça o protagonismo da América Latina na vanguarda das políticas públicas voltadas à proteção da cultura alimentar e à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis”, comenta a nutricionista e pesquisadora do Idec Ana Paula Bortoletto.

Outros países latinoamericanos, como Peru e México, têm regras semelhantes para a promoção da alimentação saudável, principalmente entre as crianças. “Isso fortalece e incentiva mudanças na legislação também no Brasil”, diz a nutricionista.

Segundo Ana Paula, novas regras para rotulagem devem ser discutidas em breve no país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve anunciar ainda este ano uma consulta pública sobre a inclusão de informações nutricionais na parte frontal da embalagem de alimentos, de modo que seja mais visível e compreensível para o consumidor brasileiro.

Principais avanços

Entre as medidas aprovadas na Bolívia, destaca-se a adoção do semáforo nutricional no rótulo de alimentos processados e de bebidas não alcoólicas. De acordo com a lei, os fabricantes terão de utilizar o sistema gráfico que informa o teor de gordura saturada, açúcar adicionado e sódio, com base nas cores do semáforo: vermelho (alta), amarelo (média) e verde (baixa).

Além disso, tanto nos rótulos quanto na publicidade de alimentos não saudáveis (com alto teor de gorduras, açúcar ou sódio), devem ser incluídas mensagens de promoção do consumo de alimentos saudáveis e sobre os benefícios da atividade física, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde local.

A lei também recomenda que a publicidade de alimentos não utilize imagens de produtos naturais (como frutas) em produtos que não são; ou informações que podem induzir ao erro sobre os benefícios nutricionais dos produtos anunciados.

O prazo para adaptação às novas regras é de um ano. Confira AQUI a íntegra da lei (em espanhol).

Fonte: Idec

ONU declara 2016 Ano Internacional das leguminosas
Publicado em 18/01/2016 às 1:35 pm

A 68ª Assembleia geral das Nações Unidas declarou 2016 como o Ano Internacional das leguminosas (IYP).

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) foi designada para facilitar a implementação do Ano em parceria com governos, organizações relevantes, Organizações Não Governamentais e várias outras entidades.

O IYP 2016 objetiva intensificar a conscientização da população acerca dos benefícios nutricionais das leguminosas como parte de um sistema de produção sustentável visando à Segurança Alimentar e Nutricional. O ano vai criar uma oportunidade única para encorajar conexões através da cadeia alimentar para utilizar as leguminosas como fonte proteica, produções globais futuras de leguminosas, utilizar melhor a rotação de culturas e enumerar os desafios na troca de leguminosas.

O que são leguminosas e por que elas são importantes?

Leguminosas correspondem a plantações anuais entre 1 e 12 grãos ou sementes de tamanhos variados, forma e cor, usados para alimentação. O termo é limitado para plantações preparadas apenas para grãos secos, excluindo, portanto, plantações de vegetais, assim como plantações utilizadas prioritariamente para extração de óleos e plantações de leguminosas com propósito de semeadura (baseado na definição de “leguminosas e produtos derivados”(external link) da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Plantações de leguminosas como lentilhas, feijões, ervilhas e grão-de-bico são uma parte importante da cesta geral de alimentos. Leguminosas são fontes vitais de proteínas e aminoácidos de origem vegetal para indivíduos ao redor do globo, e devem ser consumidas como parte de uma alimentação saudável para enfrentar a obesidade, assim como prevenir e ajudar no controle de doenças crônicas como diabetes, problemas coronários e cânceres. Elas são também uma importante fonte de proteínas vegetais para animais.

Adicionalmente, as leguminosas funcionam como fixadoras de nitrogênio nos solos contribuindo significativamente para fertilidade dos mesmos e influenciando positivamente no meio ambiente.

O site do IYP (www.fao.org/pulses-2016/en) vai ser a plataforma principal para compartilhamento de informações e fontes relevantes com diferentes parceiros. Acesse para maiores informações.

Fonte: Asbran

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